sábado, 31 de outubro de 2015

JOGOS MUNDIAIS DOS POVOS INDÍGENAS NO BRASIL

Depois do sucesso da Copa do Mundo, o Brasil se consolida como sede de grandes eventos esportivos. O próximo desafio será a realização dos I Jogos Mundiais dos Povos Indígenas (JMPI), que acontecerão de 23 de outubro a 1 de novembro de 2015 em Palmas (TO), com a presença de mais de dois mil atletas de 30 países. Ao todo serão 13 dias de programação, sendo que nos primeiros três dias de evento, todas as etnias brasileiras e estrangeiras participarão de uma excursão pelos pontos turísticos de Palmas, como forma de ambientação, socialização e integração dos participantes do evento com a comunidade de nossa cidade.
Um Índio
Caetano Veloso
  

Um índio descerá de uma estrela colorida, brilhante
De uma estrela que virá numa velocidade estonteante
E pousará no coração do hemisfério sul
Na América, num claro instante
Depois de exterminada a última nação indígena
E o espírito dos pássaros das fontes de água límpida
Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias

Virá
Impávido que nem Muhammad Ali
Virá que eu vi
Apaixonadamente como Peri
Virá que eu vi
Tranqüilo e infálivel como Bruce Lee
Virá que eu vi
O axé do afoxé Filhos de Gandhi
Virá

Um índio preservado em pleno corpo físico
Em todo sólido, todo gás e todo líquido
Em átomos, palavras, alma, cor
Em gesto, em cheiro, em sombra, em luz, em som magnífico
Num ponto equidistante entre o Atlântico e o Pacífico
Do objeto-sim resplandecente descerá o índio
E as coisas que eu sei que ele dirá, fará
Não sei dizer assim de um modo explícito

Virá
Impávido que nem Muhammad Ali
Virá que eu vi
Apaixonadamente como Peri
Virá que eu vi
Tranqüilo e infálivel como Bruce Lee
Virá que eu vi
O axé do afoxé Filhos de Gandhi
Virá

E aquilo que nesse momento se revelará aos povos
Surpreenderá a todos não por ser exótico
Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto

Quando terá sido o óbvio
             

HÁ ALGO MAIS... UM AMOR. UMA LUZ. - LXXVIII
                        
                             (poema recebido espiritualmente por Wagner Borges -
                            OS XAMÃS DA COLINA SAGRADA)

- A água é sagrada!
(Mas só a sede ensina isso).
- O fogo é sagrado!
(Porque representa a Luz).
- Os amigos são sagrados!
(Mas só a solidão ensina isso).
- O corpo é sagrado!
(Mas só a doença e a fraqueza física ensinam isso).
- A Mãe-Terra é sagrada!
(Mas só quem vive sabe disso).
- O Amor é sagrado!
(Mas só a dor de uma perda ensina isso).
- As estrelas são sagradas!
(Mas só quem expande a consciência sabe disso).
- Manitu* é tudo!
(O povo vermelho sempre ensina isso).
- A música é sagrada!
(É presente do Grande Espírito).
- O vento sussurra mensagens sutis...
(Mas só quem viaja pelo coração escuta).
- Todo homem é sagrado!
(Porque é filho do Grande Espírito)
- O choro do Xamã é sagrado!
(Porque, enquanto ele chora Manitu* lava sua alma).
- O sono é sagrado!
(Porque é o recreio do espírito, que sai do corpo para voar pelos céus do Grande Espírito).
- O trabalho é sagrado!
( Porque a natureza da vida é a atividade).
- Nenhum homem é capaz de ver a glória de Manitu*!
Para isso, é preciso aquietar a mente e fechar os olhos carnais, para "ver com o próprio espírito").
- A dança dos espíritos é com as estrelas!
(É dança de imortalidade e reverência à vida gerada por Manitu*).
- A vida é sagrada!
(Mas é preciso viver para aprender isso).
- Irmãos de jornada se amam e se respeitam!
(E nada pode separá-los do Amor de Manitu*).
-  Quando vêm a chuva, os Xamãs se emocionam e agradecem ao Grande Espírito!
(Porque eles sabem que a água é sagrada)
- Quando a morte do corpo chega, o Xamã sobe com o vento sutil e vai dançar com os espíritos, por entre as estrelas...
(Porque ele sabe que há algo mais... Um amor. Uma luz).
- Na imensidão universal só o poder de Manitu* é real!
(A sabedoria dos povos nativos sempre ensina isso).
- Povos pele-vermelha, pele-negra, pele-branca e pele-amarela...
(Todos são povos pele-Luz. Todos são povos pele-Manitu*! Por isso, os Xamãs sempre ensinam que todas as peles são sagradas).
- Manitu* só fala aos corações, e diz que há algo mais...
(E os espíritos e os Xamãs compreendem que é um Amor e uma Luz).



* Manitu - designação que os índios algonquinos, dos EUA, dão a uma força mágica não personificada, mas inerente a todas as coisas, pessoas, fenômenos naturais e atividades. Ou seja, o Grande Espírito.


quinta-feira, 29 de outubro de 2015

A ENERGIA E O AQUECIMENTO GLOBAL


RIO 92

Foi a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e oDesenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro, em junho de 1992. Também conhecida como Cúpula da Terra, ela reuniu mais de 100 chefes de Estado para debater formas de desenvolvimento sustentável, um conceito relativamente novo à época.


O que é a Rio+20 
Rio+20 é o nome da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que ocorreu na cidade do Rio de Janeiro de 13 a 22 de junho de 2012. Participaram líderes dos 193 países que fazem parte da ONU.

Objetivo

O principal objetivo da Rio+20 foi renovar e reafirmar a participação dos líderes dos países com relação ao desenvolvimento sustentável no planeta Terra. Foi, portanto, uma segunda etapa da Cúpula da Terra (ECO-92) que ocorreu há 20 anos na cidade do Rio de Janeiro.


Protocolo de Kyoto é um tratado internacional com compromissos mais rígidos para a redução da emissão dos gases que agravam o efeito estufa, considerados, de acordo com a maioria das investigações científicas, como causa antropogênicas do aquecimento global.










ENERGIAS RENOVÁVEIS 



Tecnologias e Espaço Geográfico

OS CICLOS DE INOVAÇÃO TECNOLÓGICA



ETAPAS DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL









Taylorismo
Teve início no começo do século passado, tinha como objetivo principal dinamizar o trabalho na indústria. O criador desse sistema produtivo foi Frederick Taylor, que acreditava na especialização de tarefas, ou seja, o trabalhador desenvolvia uma única atividade, por exemplo, alguém que colocava os faróis nos automóveis na indústria automobilística faria apenas isso o dia todo sem conhecer os procedimentos das outras etapas da produção, além de monitorar o tempo gasto para a realização de tarefas e premiação àqueles que tivessem um grande rendimento em seu trabalho.
Fordismo
Essa modalidade de produção foi criada a partir do Taylorismo, com seu mentor Henry Ford na década de 20. Sua ideia foi elaborada em sua própria indústria de automóvel, a Ford, baseado na especialização da função e na instalação de esteiras sem fim na linha de montagem, à medida que o produto deslocava na esteira o trabalhador desenvolvia sua função. Com isso, visava diminuir o tempo gasto no trabalho, aumentar a produtividade, diminuir o custo de produção e, principalmente, realizar a produção em massa para o consumo ocorrer no mesmo passo.
Toyotismo
Sistema de produção criado no Japão que tinha em sua base a tecnologia da informática e da robótica, isso ocorreu na década de 1970, e primeiramente foi usado na fábrica da Toyota. Nessa modalidade de produção o trabalhador não fica limitado a uma única tarefa, o operário desenvolve diversas atividades na produção. Outra criação desse sistema é o just-in-time, produzir a partir de um tempo já estipulado com intenção de regular os estoques e a matéria-prima.
Volvismo
No fim do século passado emergiu um novo modelo de organizar e gerenciar a produção industrial. Como na maioria dos outros modelos de produção, esse foi desenvolvido na fábrica da Volvo, e conciliou execução manual e automação. No Volvismo há um grande investimento no trabalhador em treinamentos e aperfeiçoamento, no sentido que esse consiga produzir por completo um veículo em todas as etapas, além de valorizar a criatividade e o trabalho coletivo e a preocupação da empresa com o bem estar do funcionário, bem como sua saúde física e mental.
Eduardo de Freitas
Graduado em Geografia

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Da Natureza aos Recursos Minerais

OS RECURSOS NATURAIS




Países com mais água per capita
Guiana Francesa812.121 m3
Islândia609.319 m3
Guiana316.689 m3
Suriname292.566 m3
Congo275.679 m3
Papua Nova Guiné166.563 m3
Gabão133.333 m3
Ilhas Salomão100.000 m3
Canadá94.353 m3
Nova Zelândia86.554 m3
Territórios não considerados

Países com menos água per capita
Kuait10 m3
Emirados Árabes Unidos58 m3
Bahamas66 m3
Qatar94 m3
Maldivas103 m3
Líbia113 m3
Arábia Saudita118 m3
Malta129 m3
Cingapura149 m3
Jordânia179 m3
Territórios não considerados

OVeja o ranking dos 15 maiores produtores mundiais de petróleo em 2010, juntamente com o volume de produção em milhões de barris diários, segundo o Departamento de Estatística dos Estados Unidos:
  1. Arábia Saudita, 11,726 milhões de barris diários;
  2. Estados Unidos, 11,109 milhões;
  3. Rússia, 10,397 milhões;
  4. República Popular da China, 4,372 milhões;
  5. Canadá, 3,856 milhões;
  6. Irã, 3,518 milhões;
  7. Emirados Árabes Unidos, 3,213 milhões;
  8. Iraque, 2,987 milhões;
  9. México, 2,936 milhões;
  10. Kuwait, 2,797 milhões;
  11. Brasil, 2,625 milhões;
  12. Nigéria, 2,524 milhões;
  13. Venezuela, 2,489 milhões;
  14. Catar, 2,033 milhões;
  15. Noruega, 1,902 milhões.
Conheça também os 15 países que mais consumiam petróleo em 2010, igualmente com base em milhões de barris por dia:
  1. Estados Unidos, 19,180 milhões de barris ao dia;
  2. República Popular da China, 9,392 milhões;
  3. Japão, 4,452 milhões;
  4. Índia, 3,116 milhões;
  5. Rússia, 3,038 milhões;
  6. Arábia Saudita, 2,650 milhões;
  7. Brasil, 2,560 milhões;
  8. Alemanha, 2,495 milhões;
  9. Coreia do Sul, 2,251 milhões;
  10. Canadá, 2,216 milhões;
  11. México, 2,073 milhões;
  12. França, 1,861 milhão;
  13. Irã, 1,8 milhão;
  14. Reino Unido, 1,
  15. , 1,622 milhão;
  16. Itália, 1,528 milhão.
http://www.guiadetudo.com/index.php/category-economia/203-quais-os-15-principais-paises-produtores-de-petroleo-no-mundo





Solo arenoso: possui grande quantidade de areia. Esse tipo de solo é muito permeável, pois a água infiltra facilmente pelos espaços formados entre os grãos de areia. Normalmente ele é pobre em nutrientes.

Solo argiloso: é formado por grãos pequenos e compactos, sendo impermeável e apresentando grande quantidade de nutrientes, característica essencial para a prática da atividade agrícola. 

Solo humoso: chamado em alguns lugares de terra preta, esse tipo de solo é bastante fértil, pois contém grande concentração de material orgânico em decomposição. O solo humoso é muito adequado para a realização da atividade agrícola.

Solo calcário: com pouco nutriente e grande quantidade de partículas rochosas em sua composição, o solo calcário é inadequado para o cultivo de plantas. Ele é típico de regiões desérticas.


- Horizonte O: Camada orgânica superficial. Drenado, com cor escura.
- Horizonte A: Constituído, basicamente, de rocha alterada e húmus, sendo a região onde se fixa a maior parte das raízes e vivem organismos decompositores e detritívoros.
- Horizonte E (ou B): Camada mineral constituída de quantidade reduzida de matéria orgânica, acúmulo de compostos de ferro e minerais resistentes, como o quartzo. Pode ser atingido por raízes mais profundas.
- Horizonte C: Camada mineral pouco ou parcialmente alterada.
- Horizonte R: Rocha não alterada que deu origem ao solo.

 
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Guerras hídricas: Estudos relacionam escassez de água a onda de revoltas civis no Oriente Médio

Pesquisadores observam impacto de secas e regime instável de águas relacionados às mudanças climáticas em Síria e Iêmen; um dos estudos mostra como Estado Islâmico se expandiu em ano recorde de altas temperaturas no Iraque
Por trás da crescente violência no Iraque, na Síria e no Iêmen, bem como da onda de agitações civis na região de maneira mais ampla, há uma crescente escassez de água.
Uma nova pesquisa publicada pela Associação Norte-Americana de Obras Hídricas (AWWA, na sigla em inglês) mostra que a escassez de água ligada às mudanças climáticas se tornou um problema global que desempenha papel crítico na agravação dos principais conflitos no Oriente Médio e no Norte da África.
Nessas regiões, na América Latina e no Sul da Ásia, várias cidades estão diante da "diminuição e declínio do fornecimento de água per capita", o que tem um impacto "global" sobre a produção de alimentos, abastecimento urbano e geração de energia. 
Na edição de março do periódico da AWWA, o especialista norte-americano em gerenciamento de água Roger Patrick analisa o estado da literatura científica sobre a escassez hídrica em algumas regiões do mundo, descobrindo que a carência local de água tem agora "impacto mais globalizado".
Ele salienta os exemplos da "instabilidade política no Oriente Médio e a possibilidade de que o mesmo ocorra em outros países", ilustrando a crescente "interconectividade global" da escassez hídrica nos níveis local e regional.
Em 2012, um relatório do serviço de inteligência dos EUA baseado em um estudo confidencial da Inteligência Nacional sobre a segurança hídrica, encomendado pela então secretária de Estado Hillary Clinton, concluiu que após o ano de 2022, secas, alagamentos e a carência de água potável aumentarão a possibilidade de o recurso ser usado como uma arma de guerra ou um instrumento para terroristas.
O novo estudo do periódico da AWWA, no entanto, mostrou que os serviços de inteligência americanos ainda não estão cientes das dimensões dos fatos. Países como Iraque, Síria e Iêmen, onde as operações antiterrorismo dos EUA seguem a pleno vapor, estão lidando no momento com uma aceleração da instabilidade causada pelo terrorismo, o que se deve em parte ao impacto desestabilizador da falta d'água
A ONU define uma região como apresentando escassez de água se a quantidade de água doce renovável disponível por pessoa ao ano for inferior a 1.700 metros cúbicos. Abaixo de 1.000, a região é definida como em estado de escassez hídrica; abaixo de 500, em estado de "absoluta escassez hídrica".
De acordo com um estudo do AWWA, países que já estão passando por uma crise hídrica ou algo ainda mais grave incluem Egito, Jordânia, Turquia, Iraque, Israel, Síria, Iêmen, Índia, China e partes dos Estados Unidos. Muitos destes países, embora não todos, estão também passando por conflitos ou agitações civis.
A AWWA é uma associação científica internacional fundada com o intuito de melhorar a qualidade e o fornecimento de água, tendo entre seus 50 mil membros prestadoras de serviços hídricos, cientistas, reguladores e especialistas em saúde pública. O autor do estudo, Robert Patrick, presta consultoria para governos e especialistas no gerenciamento de água e já trabalhou em crises hídricas na Jordânia, no Líbano, no Novo México, na Califórnia e na Austrália.
Seu artigo no periódico da AWWA explica que o aumento nos preços de grãos, que contribuiu para a revolta de 2011 no Egito, foi causado principalmente por secas em importantes países exportadores desse tipo de alimento, como a Austrália.
Patrick observa que a agitação civil pode sinalizar um futuro de conflitos e instabilidade no Egito. Ele salienta o risco de uma guerra entre Egito e Etiópia por causa da Grande Barragem Renascença da Etiópia, que ameaça restringir o acesso egípcio ao Nilo, fornecedor de 98% da água potável consumida no país.
Com as previsões de que a população do Egito duplique para 150 milhões até 2050, a barragem poderia levar a uma "grande tensão" entre a Etiópia e o Egito, já que a represa reduziria a capacidade da hidroelétrica egípcia de Aswan em 40%.

Todos os países no Oriente Médio e no Norte da África onde os Estados Unidos estão liderando uma campanha militar há mais de um ano contra militantes Estado Islâmico atravessam secas.
Antes do início da guerra civil na Síria, diz Patrick, 60% do país atravessou uma seca devastadora que levou mais de um milhão de fazendeiros, majoritariamente sunitas, a migrar para cidades costeiras dominadas pelo grupo étnico dos alauitas, o que aumentou a tensão sectária e culminou em revolta popular e em um ciclo de violência.
Um artigo no periódico da Academia Nacional de Ciências dos EUA apresentou também uma pesquisa sobre como as mudanças climáticas amplificaram as condições de seca na Síria, o que teve um efeito "catalisador" sobre a revolta civil.
Mas a preocupação de Patrick é de que a crise síria poderia sinalizar o que ainda está por vir. Citando as descobertas do Experimento Climático e Recuperação Gravitacional (GRACE), financiado pela NASA e pelo Centro Aeroespacial Alemão, ele observa que, entre 2003 e 2009, a bacia do Tigre-Eufrates, que abrange Turquia, Síria, Iraque e oeste do Irã "perdeu água a um ritmo mais rápido do que qualquer outro lugar no mundo, com exceção do norte da Índia".
Cerca de 145 trilhões de litros de água doce foi perdido em razão da redução das precipitações chuvosas e do mau gerenciamento. Se a tendência continuar, "novos problemas podem surgir" na região.
O Iêmen também está consumindo água muito mais rápido do que o recomendado, observa Patrick, fator que, segundo alguns especialistas, está desempenhando um papel fundamental nos crescentes conflitos tribais e sectários locais.
Síria, Iraque e Iêmen vivenciam hoje operações militares norte-americanas sob o pretexto da luta contra o terrorismo islâmico, mas um novo estudo da AWWA sugere que o crescimento dos movimentos extremistas tenha sido indiretamente influenciado por crises hídricas regionais.
O meteorologista norte-americano Eric Holthaus observou que a expansão do Estado Islâmico no último ano coincidiu com um período de aumento de temperaturas sem precedentes no Iraque, reconhecido como o maior episódio de aquecimento já registrado, de março a maio de 2014. Secas recorrentes e tempestades devastaram a agricultura no país. Com as fontes de água diminuindo e a produção agrícola em queda, o governo majoritariamente xiita apoiado pelos Estados Unidos falhou na resolução dos crescentes conflitos, e o Estado Islâmico soube explorar essa falha, usando, por exemplo, barragens e reservatórios como uma arma de guerra.
http://operamundi.uol.com.br/conteudo/samuel/40007/guerras+hidricas+estudos+relacionam+escassez+de+agua+a+onda+de+revoltas+civis+no+oriente+medio.shtm

Poema Navio Negreiro

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Castro Alves


O Navio Negreiro
(Tragédia no mar) 



'Stamos em pleno mar... Doudo no espaço
Brinca o luar — dourada borboleta;
E as vagas após ele correm... cansam
Como turba de infantes inquieta.


'Stamos em pleno mar... Do firmamento
Os astros saltam como espumas de ouro...
O mar em troca acende as ardentias,
— Constelações do líquido tesouro...


'Stamos em pleno mar... Dois infinitos
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, plácidos, sublimes...
Qual dos dous é o céu? qual o oceano?...


'Stamos em pleno mar. . . Abrindo as velas
Ao quente arfar das virações marinhas,
Veleiro brigue corre à flor dos mares,
Como roçam na vaga as andorinhas...


Donde vem? onde vai? Das naus errantes
Quem sabe o rumo se é tão grande o espaço?
Neste saara os corcéis o pó levantam,
Galopam, voam, mas não deixam traço.


Bem feliz quem ali pode nest'hora
Sentir deste painel a majestade!
Embaixo — o mar em cima — o firmamento...
E no mar e no céu — a imensidade!


Oh! que doce harmonia traz-me a brisa!
Que música suave ao longe soa!
Meu Deus! como é sublime um canto ardente
Pelas vagas sem fim boiando à toa!


Homens do mar! ó rudes marinheiros,
Tostados pelo sol dos quatro mundos!
Crianças que a procela acalentara
No berço destes pélagos profundos!


Esperai! esperai! deixai que eu beba
Esta selvagem, livre poesia,
Orquestra — é o mar, que ruge pela proa,
E o vento, que nas cordas assobia...
..........................................................


Por que foges assim, barco ligeiro?
Por que foges do pávido poeta?
Oh! quem me dera acompanhar-te a esteira
Que semelha no mar — doudo cometa!


Albatroz! Albatroz! águia do oceano,
Tu que dormes das nuvens entre as gazas,
Sacode as penas, Leviathan do espaço,
Albatroz! Albatroz! dá-me estas asas.



II

 
Que importa do nauta o berço,
Donde é filho, qual seu lar?
Ama a cadência do verso
Que lhe ensina o velho mar!
Cantai! que a morte é divina!
Resvala o brigue à bolina
Como golfinho veloz.
Presa ao mastro da mezena
Saudosa bandeira acena
As vagas que deixa após.


Do Espanhol as cantilenas
Requebradas de langor,
Lembram as moças morenas,
As andaluzas em flor!
Da Itália o filho indolente
Canta Veneza dormente,
— Terra de amor e traição,
Ou do golfo no regaço
Relembra os versos de Tasso,
Junto às lavas do vulcão!


O Inglês — marinheiro frio,
Que ao nascer no mar se achou,
(Porque a Inglaterra é um navio,
Que Deus na Mancha ancorou),
Rijo entoa pátrias glórias,
Lembrando, orgulhoso, histórias
De Nelson e de Aboukir.. .
O Francês — predestinado —
Canta os louros do passado
E os loureiros do porvir!


Os marinheiros Helenos,
Que a vaga jônia criou,
Belos piratas morenos
Do mar que Ulisses cortou,
Homens que Fídias talhara,
Vão cantando em noite clara
Versos que Homero gemeu...
Nautas de todas as plagas,
Vós sabeis achar nas vagas
As melodias do céu!...



III

 
Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!
Desce mais ... inda mais... não pode olhar humano
Como o teu mergulhar no brigue voador!
Mas que vejo eu aí... Que quadro d'amarguras!
É canto funeral! ... Que tétricas figuras! ...
Que cena infame e vil... Meu Deus! Meu Deus! Que horror!



IV

 
Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...


Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!


E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais ...
Se o velho arqueja, se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...


Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!


No entanto o capitão manda a manobra,
E após fitando o céu que se desdobra,
Tão puro sobre o mar,
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
"Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!..."


E ri-se a orquestra irônica, estridente. . .
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais...
Qual um sonho dantesco as sombras voam!...
Gritos, ais, maldições, preces ressoam!
E ri-se Satanás!...


 
V

 
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!


Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são? Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa Musa,
Musa libérrima, audaz!...


São os filhos do deserto,
Onde a terra esposa a luz.
Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão...


São mulheres desgraçadas,
Como Agar o foi também.
Que sedentas, alquebradas,
De longe... bem longe vêm...
Trazendo com tíbios passos,
Filhos e algemas nos braços,
N'alma — lágrimas e fel...
Como Agar sofrendo tanto,
Que nem o leite de pranto
Têm que dar para Ismael.


Lá nas areias infindas,
Das palmeiras no país,
Nasceram crianças lindas,
Viveram moças gentis...
Passa um dia a caravana,
Quando a virgem na cabana
Cisma da noite nos véus ...
...Adeus, ó choça do monte,
...Adeus, palmeiras da fonte!...
...Adeus, amores... adeus!...


Depois, o areal extenso...
Depois, o oceano de pó.
Depois no horizonte imenso
Desertos... desertos só...
E a fome, o cansaço, a sede...
Ai! quanto infeliz que cede,
E cai p'ra não mais s'erguer!...
Vaga um lugar na cadeia,
Mas o chacal sobre a areia
Acha um corpo que roer.


Ontem a Serra Leoa,
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob as tendas d'amplidão!
Hoje... o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar...
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar...


Ontem plena liberdade,
A vontade por poder...
Hoje... cúm'lo de maldade,
Nem são livres p'ra morrer. .
Prende-os a mesma corrente
— Férrea, lúgubre serpente —
Nas roscas da escravidão.
E assim zombando da morte,
Dança a lúgubre coorte
Ao som do açoute... Irrisão!...


Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus,
Se eu deliro... ou se é verdade
Tanto horror perante os céus?!...
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
Do teu manto este borrão?
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!...



VI

 
Existe um povo que a bandeira empresta
P'ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!...
Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta,
Que impudente na gávea tripudia?
Silêncio. Musa... chora, e chora tanto
Que o pavilhão se lave no teu pranto!...
Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!...

 
Fatalidade atroz que a mente esmaga!
Extingue nesta hora o brigue imundo
O trilho que Colombo abriu nas vagas,
Como um íris no pélago profundo!
Mas é infâmia demais! ... Da etérea plaga
Levantai-vos, heróis do Novo Mundo!
Andrada! arranca esse pendão dos ares!
Colombo! fecha a porta dos teus mares!



São Paulo, 18 de abril de 1869.
(O Poeta, nascido em 14.03.1847,
tinha apenas 22 anos de idade)

Terceira Geração Romântica: Castro Alves (1847 – 1871)

Nascido no Estado da Bahia, na cidade que hoje leva seu nome, Castro Alves fez seus primeiros estudos em Salvador, junto com o colega Rui Barbosa. Estudou na Faculdade de Direito do Recife, onde se juntou a Tobias Barreto e participou ativamente da vida literária acadêmica. Já na adolescência, Castro Alvesproduzia precocemente seus primeiros versos, começando, na Faculdade, a alcançar notoriedade. Tinha uma vida amorosa intensa, da qual se pode destacar o romance com a atriz Eugênia Câmara, que lhe rendeu boa parte dos seus versos líricos. Em viagem para o sul do país com a atriz, Castro Alves conhece José de Alencar e Machado de Assis. Matricula-se no 3º ano da Faculdade de Direito de São Paulo, na mesma turma que Rui Barbosa. O rompimento com Eugênia deixa o poeta desolado e, mais uma vez, juntam-se à sua obra lírico-amorosa intensos e dolorosos versos. Para esquecer a perda, o poeta distrai-se em caçadas e em uma delas fere o pé com um tiro de espingarda, o que o leva a amputá-lo. Bastante debilitado, a tuberculose que se manifestara já no ano de 1863, quando o poeta tinha apenas dezesseis anos, agravou-se, o que leva Castro Alves a voltar para a Bahia, hospedando-se em fazendas de parentes, em busca de melhora. Neste período, cuida da edição de seu primeiro livro, único a ver publicado: Espumas Flutuantes. Morre um ano depois desta publicação, em 1871, com 24 anos.