domingo, 21 de fevereiro de 2016

Maçaricos de Praia




Elas têm aparência frágil, são pequenas, mas possuem uma força nas asas que as permite voar milhares de quilômetros para fugir do frio do Hemisfério Norte em direção ao calor do Polo Sul, em busca de alimento e descanso,  garantindo a preservação da espécie. São as aves migratórias que frequentam as praias e rios de Sergipe após viajar até 12 mil quilômetros numa velocidade de até 90 km/h.

O maçarico-de-papo-vermelho (Callidris canutus) está entre essas espécies que passam por Sergipe. Essa ave realiza uma das mais longas migrações de uma ave limícola segundo pesquisa realizada pelo Projeto de Conservação de Aves Migratórias Neárticas no Brasil. O ponto de partida é o Ártico e a chegada o Sul da América do Sul com passagem pela costa brasileira.

O biólogo Marcelo Cardoso participou deste projeto e pesquisou a presença das aves migratórias em solo sergipano. O maçarico-de-papo-vermelho foi encontrado na foz do São Francisco e no estuário do rio Sergipe. De acordo com ele, a paragem das aves tinha como objetivo, o descanso e a alimentação.

Pouso de sobrevivência - De acordo com o Projeto mais de 80 espécies desses pássaros dependem de habitats brasileiros para sobreviver. Em Sergipe, há pelo menos 20 que empreendem anualmente a jornada migratória e chegam à praia da Atalaia e aos estuários dos rios Sergipe, Poxim, Vaza Barris, Piauí, Fundo e Real, além da foz do São Francisco.


Na foz do rio São Francisco, numa área aproximada de 100 km², foram encontrados batuíras, maçaricos e outras espécies. Os maçaricos foram encontrados em maior quantidade ao longo das praias de Piaçabuu, em Alagoas, acompanhando barcos de pesca. Foram localizadas, também, batuíras.

Ameaças 

A viagem desses pássaros por si só já é uma ameaça. Enfrentam tempestades, raios e ventanias na jornada que chega a mais de 10 mil quilômetros batendo asas para fugir da invernada. Mas, não são apenas as intempéries, de acordo com Marcelo Cardoso, que ameaçam a vida desses viajantes do céu.

Os riscos variam de local, mas convergem a um ponto comum: à perda do habitat e à poluição em decorrência do crescimento populacional das cidades localizadas no entorno dos rios e das praias.

O complexo do estuário dos rios Piauí, Fundo e Real, que abrange os municípios de Estância, Santa Luzia do Itanhy e Indiaroba, apesar de estar inserido em Área de Preservação Ambiental, também oferece ameaças. Efluentes industriais despejados no rio Piauí, destruição das restingas e das matas, oferecem sérios riscos, de acordo com a análise do pesquisador. 

A recomendação para preservar esse sítio é a mesma que serve para os demais: conservação do complexo por meio da adoção de políticas públicas que contemplem a manutenção da vegetação e campanhas de planejamento familiar para tentar conter o crescimento populacional.

Já no estuário do rio Vaza Barris, que alcança as cidades de Aracaju, São Cristóvão e Itaporanga, a implantação de loteamentos e condomínios é uma das principais ameaças à garantia de preservação desse local de passagem das aves. Principalmente no Mosqueiro, onde as migradoras descansam e se alimentam em locais como a Croa do Goré, há a necessidade de um olhar mais preservacionista. Segundo a pesquisa, a carcinocultura, também oferece ameaças.

Presença o ano todo – E como essas aves vencem as distâncias e conseguem chegar ao destino certo? O Projeto de Conservação que o biólogo Marcelo Cardoso participou não se prendeu a essa questão, apenas ao registro das espécies encontradas e as ameaças que as cercam, bem como apontar recomendações conservacionistas.

Mas, matéria publicada na Revista Superinteressante aponta para alguns possíveis aspectos levantados pelo ornitólogo alemão Frieder Sauer: as aves se orientariam pelas constelações (as de voo noturno), por vibrações sonoras  ou ainda por uma espécie de memória das espécies que reconheceriam em pleno ar, a localização por onde já teriam passado e que as levaria ao lugar de clima quente e de comida farta.

Guiadas pelo instinto de sobrevivência, essas espécies viajam pelo céu brasileiro o ano inteiro, variando apenas o tempo de permanência de acordo com a espécie de pássaro. Por exemplo, as espécies migratórias encontradas pelo biólogo Marcelo Cardoso, no estuário do rio Vaza Barris frequentam o estuário em maior número entre setembro a março.

http://www.jornaldacidade.net/noticia-leitura/69/88471/aves-voam-do-polo-norte-ate-sergipe.html#.Vsmz2H0rLcc


Alimentação

Sua dieta varia de acordo com a estação do ano: nos territórios de reprodução no Círculo Polar Ártico a espécie alimenta-se principalmente de insetos adultos e larvas (DipteraLepidopteraTrichoptera, etc). Durante as migrações e áreas de invernada alimenta-se principalmente em ambientes costeiros, especialmente baixios de areia/lama e também em praias. Os principais itens consumidos nestes locais são moluscos gastrópodes e bivalvos, embora também utilize crustáceos pequenos, anelídeos e insetos. Mais raramente pode comer pequenos peixes e sementes. Na migração ao norte alimenta-se quase que exclusivamente de ovos do caranguejo-ferradura na Baía de Delaware.
http://www.wikiaves.com.br/macarico-de-papo-vermelho
Maçarico-do-papo-vermelho em Tavares, RS. Imagem: João Quental/Wikiaves.





Feira de mangaio


           

Significado de Feira de mangaio:

É um tipo de feira típica da região nordeste onde o mix de comercialização são produtos artesanais de uma variedade incomensurável que vão desde utilidades domésticas a agropecuária e fármacos homohepáticos


Fumo de rolo arreio e cangalha
Eu tenho pra vender, quem quer comprar
Bolo de milho broa e cocada
Eu tenho pra vender, quem quer comprar
Pé de moleque, alecrim, canela

Moleque sai daqui me deixa trabalhar
E Zé saiu correndo pra feira de pássaros
E foi passo-voando pra todo lugar

Tinha uma vendinha no canto da rua
Onde o mangaieiro ia se animar
Tomar uma bicada com lambu assado
E olhar pra Maria do Joá

Cabresto de cavalo e rabichola
Eu tenho pra vender, quem quer comprar
Farinha rapadura e graviola
Eu tenho pra vender, quem quer comprar
Pavio de cadeeiro panela de barro

Menino vou me embora
Tenho que voltar
Xaxar o meu roçado
Que nem boi de carro
Alpargata de arrasto não quer me levar

Porque tem um Sanfoneiro no canto da rua
Fazendo floreio pra gente dançar
Tem Zefa de purcina fazendo renda
E o ronco do fole sem parar

Sivuca


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Seca no Sertão Nordestino

























É comum vermos, tanto na internet como na televisão, imagens referentes à seca do Nordeste, com registros de poucas chuvas ao longo do ano e, em determinadas épocas, de grandes períodos de estiagem. Apesar dessas condições desfavoráveis, o Nordeste é uma das regiões semiáridas com maior densidade populacional do planeta, algo que está diretamente ligado ao processo de colonização, que ocorreu primeiro nessa região.
Diante disso, algumas dúvidas emergem nesse contexto: por que será que o Nordeste é tão seco? Seria isso a causa para a pobreza na região?
Primeiramente, é importante esclarecer que não é toda a região Nordeste que sofre com os problemas climáticos relacionados à falta d’água, mas sim a região denominada de Polígono das Secas (veja o mapa abaixo). Além disso, entidades públicas e privadas, de certo modo, “exageram” em relação ao tamanho da área com excesso de aridez, a fim de ampliar a arrecadação através de verbas públicas. Há, portanto, muitas informações imprecisas disponíveis sobre as reais condições físicas e geográficas da seca do Nordeste, conforme já alertara Aziz Ab’Sáber¹.
O polígono das secas abrange parte do Nordeste e o norte de Minas Gerais
O polígono das secas abrange parte do Nordeste e o norte de Minas Gerais
Sobre as causas da seca na região, existem alguns motivos principais: em primeiro lugar, o relevo interplanáltico (isto é, depressões localizadas entre planaltos) desfavorece a circulação de massas de ar úmidas, ocasionando a falta de chuvas. Além disso, trata-se de uma região de latitudes equatoriais, com maior incidência de raios solares e, portanto, com maiores temperaturas. Soma-se a isso o fato de a região – ao contrário da Amazônica, por exemplo – não apresentar uma grande quantidade de rios caudalosos que favoreceriam a evaporação com a consequente precipitação em nível local. Na verdade, a maior parte dos rios é intermitente ou sazonal, ou seja, eles secam em determinados períodos. A grande exceção, nesse caso, é o Rio São Francisco, principal recurso hídrico da região.
Apesar da posição geográfica equatorial, o clima da região é marcado por ser do tipo tropical, com duas estações bem definidas: um inverno seco e outra moderadamente chuvosa. Essa última é eventualmente interrompida ou intensificada em função de fenômenos climáticos, como o El Niño, que provoca os longos períodos de estiagem, e o La Niña, que ocasiona períodos de chuvas e até alagamentos de algumas cidades.
Outro fator que provoca a seca do Nordeste é a pouca força que algumas massas de ar úmido possuem. As massas de ar do Oceano Atlântico atingem, em geral, apenas o litoral nordestino, onde ocorre a maioria das chuvas (e onde é registrada a presença da Mata Atlântica). Por outro lado, a oeste, as massas de ar úmido provenientes da Amazônia também não conseguem alcançar inteiramente a região, chegando apenas até o oeste do Maranhão.
Apesar dessa série de eventos climáticos naturais que parecem conspirar para caracterizar a aridez da região nordestina, o motivo principal para as secas é, sem dúvida, político. Muitos autores utilizam a expressão Indústria da seca para se referir a essa questão, isso porque somente os fatores climáticos não são suficientes para explicar a miséria em que vive a população. Atualmente, em regiões áridas dos Estados Unidos e, principalmente, Israel, soluções tecnológicas avançadas foram desenvolvidas para resolver problemas de disponibilidade de recursos hídricos.
Dessa forma, muito dinheiro foi destinado para a região, o suficiente para implantar projetos avançados de irrigação e distribuição de água, porém boa parte da verba foi desviada e a maior parte dos sistemas de irrigação foi destinada a grandes latifúndios (geralmente associados a grandes políticos da região) que priorizam a exportação.
Assim, na opinião de muitos críticos², a indústria da seca funciona da seguinte forma: prometem-se melhorias para a população e oferecem-se ações de caridades (como cestas básicas) em troca de votos. Depois de eleitos, os políticos atuam para atender aos interesses dos grandes latifundiários, que geralmente financiam as suas campanhas. Por fim, exagera-se na mídia o problema da seca a fim de angariar mais recursos que raramente são bem utilizados em prol da população local. Apesar disso, essa realidade vem lentamente mudando nos últimos anos.
Portanto, para melhor resumir, podemos atribuir a questão da seca do Nordeste a três principais fatores: naturais (de ordem física e climática), históricos (heranças da colonização) e políticos (relacionados à indústria da seca).
_____________________________
¹ AB’SÁBER, A. N. Sertões e sertanejos: uma geografia humana sofrida. Estudos Avançados, 13 (36), p.07-59, 1999. Disponível em:http://www.scielo.br/pdf/ea/v13n36/v13n36a02.pdf
² BURSZTYN, M. O poder dos donos: planejamento e clientelismo no nordeste. 2ed. Petrópolis: Vozes, 1985.

Por Rodolfo Alves Pena
Graduado em Geografia
http://brasilescola.uol.com.br/brasil/por-que-nordeste-seco.htm

Mudanças climáticas agravam seca no Nordeste e criam quatro desertos na região

Carlos Madeiro
Especial para o UOL Notícias
Em Maceió

 Ouvir texto

0:00
 Imprimir Comunicar erro

Marcado nos últimos meses por temporais, enchentes e tremores de terra, o Nordeste sofre com um mal silencioso que pode causar prejuízos ainda mais sérios à população que mora no semiárido: a desertificação. O processo atinge oito dos nove Estados da região, além do norte de Minas Gerais.
  • Laboratorio de Processamento de Imagens da UFAL
  • Laboratorio de Processamento de Imagens da UFAL
    Mapa mostra áreas de desertificação na região Nordeste em 1982 (primeira imagem) e em 2010. As áreas roxas são as mais afetadas pelo processo.

    Quatro já são chamadas de "núcleos de desertificação": nos municípios de Gilbués (PI), Irauçuba (CE) e Cabrobó (PE), além da região de Seridó (RN)

Segundo estudos, o clima no semiárido está cada vez mais seco, a temperatura máxima da região tem apresentado aumento significativo e as áreas sofrem com chuvas mais intensas, mas com intervalos maiores que a média histórica. Com as mudanças climáticas, quatro áreas desertificadas já foram identificadas por análises recentes.

Segundo relatório do Programa de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos na América do Sul, realizado por um instituto ligado a OEA (Organização dos Estados Americanos), a área afetada de forma “muito grave” no Brasil chega a atingir 98.595 km², ou 10% do semiárido brasileiro. Desse total, quatro são os chamados "núcleos de desertificação", que estão nos municípios de Gilbués (PI), Irauçuba (CE) e Cabrobó (PE), além da região de Seridó (RN), totalizando uma área de 18.743,5 km² (equivalente a 2.082 campos de futebol).

“Essa áreas já podem ser consideradas desertos e pior: estão se expandindo. Isso choca, mas é real”, afirmou o meteorologista Humberto Barbosa, coordenador do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites, localizado na Universidade Federal de Alagoas.

De acordo com o PAN (Programa de Ação Nacional de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca, ligado Ministério do Meio Ambiente), 1.482 municípios estão em área suscetível à desertificação em nove Estados (Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e norte de Minas Gerais). Essa área responde por 15,7% do território brasileiro, onde moram 31,6 milhões de pessoas.

Para o PAN, entre as principais causas do avanço da desertificação no país estão o extrativismo, o desmatamento desordenado, as queimadas e uso intensivo do solo na agricultura.

“Para diminuir o avanço da desertificação são necessários medidas como conservação do solo, da água e das florestas, ações para evitar desmatamentos, queimadas, uso de agrotóxicos, e sensibilização da população, principalmente das comunidades rurais”, afirmou Humberto Barbosa.

Segundo ele, há métodos para reduzir o avanço da desertificação no semiárido. “O caminho a percorrer é longo. A lógica é defender a prevenção, e aspectos como democratização da informação, formação voltada a uma melhor compreensão sobre as terras secas, participação qualificada, além de fortalecimento institucional e das instâncias de participação”, analisou o meteorologista.

Aumento de temperaturaSe as imagens de satélite apontam para um intenso processo de desertificação, outros estudos em solo também mostram que as mudanças climáticas no semiárido brasileiro estão em curso. Um estudo realizado pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), em parceria com o Laboratório de Meteorologia de Pernambuco, aponta que as temperaturas médias das cidades fora do litoral estão aumentando de forma rápida.

Em 40 anos, por exemplo, cidades como Vitória de Santo Antão, na zona da mata pernambucana, registrou um aumento de 3,5°C (31,5ºC para 35ºC) na temperatura máxima diária. Enquanto isso, o estudo aponta que aumento médio da temperatura mundial, no mesmo período, foi de 0,4°C.

“Os dados mostram que a tendência de aumento das temperaturas máximas está presente nas séries históricas de todos os postos estudados. Amparados por outros aspectos relativos ao solo e vegetação, não estudados, tais constatações poderiam indicar que a região estivesse sofrendo um processo de desertificação. Mas esta afirmativa no momento ainda seria precipitada com base somente nos dados e métodos utilizados”, afirmou pesquisador do Inpe Paulo Nobre.

Além do aumento da temperatura, Nobre explica que as pesquisas apontam que as chuvas na região estão ficando mais intensas, porém, com períodos de estiagens mais longos, e o ar está cada vez mais seco.
http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2010/08/05/mudancas-climaticas-agravam-seca-no-nordeste-e-criam-quatro-desertos-na-regiao.htm
Editora Globo
Estufas do Moshav Hatzeva, no deserto de Arava, sul de Israel
Israel apresenta, na Agritech 2012, de 15 a 17 de maio, a tecnologia de ponta que transformou seus desertos em pomares e lavouras de alta produtividade. A exposição, realizada a cada três anos em Tel Aviv, traz novidades em irrigação, reúso e gestão de água, estufas automatizadas, softwares e equipamentos para ordenha e monitoramento de rebanhos leiteiros.


Com a metade de seu território localizada em regiões áridas, o país consegue produzir alimentos suficientes para atender a mais de 90% da demanda interna e gerar excedentes para exportação.

A avançada tecnologia israelense nasceu nos kibutz, as fazendas comunitárias criadas pelos pioneiros dos anos 1940, e ganhou o mundo a partir dos anos 60 e 70 do século passado. A estreita colaboração entre agricultores, cientistas e governo gerou uma moderna indústria, que desenvolveu sistemas e equipamentos inovadores, revolucionando o conceito da agricultura irrigada. 
Editora Globo
Com metade do território em regiões áridas, Israel desenvolveu sistemas avançados de irrigação
Para superar sua geografia hostil, Israel se tornou líder mundial em pesquisa de recursos hídricos e hoje reutiliza 85% da água que produz, com um leque variado de tecnologias que inclui o bombardeio de nuvens e a reciclagem de água de esgoto. Os centros de pesquisa israelenses desenvolvem novos sistemas de filtragem e reciclagem, como o uso de bactérias luminosas que verificam a qualidade da água em poucos segundos. O desafio agora é baratear a dessalinização da água do mar, que tem custo ainda muito elevado.

Um dos destaques da Agritech são os avançados sistemas de gotejamento e fertirrigação, que hoje têm como líderes mundiais as empresas Netafim e NaandanJain. Essas tecnologias permitem grande redução do consumo de água, ganhos de produtividade nas lavouras e melhoria da qualidade das frutas, legumes e verduras, ao dosar a quantidade adequada de água e fertilizante aplicada às plantas, desde o plantio até a colheita.

Os sistemas de estufa, incluindo filmes plásticos especializados, aquecimento, ventilação e estrutura, permitem que os agricultores israelenses alcancem resultados expressivos na produção de hortaliças. Em pleno deserto do Negev, no sul de Israel, os agricultores de Arava conseguem colher 300 toneladas ao ano por hectare. As 600 famílias que vivem em oito assentamentos da região produzem cerca de 150.000 toneladas de vegetais por ano em estufas, a maior parte exportada para países da Europa.
Os sistemas de estufa turbinam a produção de hortaliças; máquina que processa sementes de romã, embala e congela o produto
A produtividade recorde se repete na pecuária de leite. A Afikim, conhecida pela marca Afimilk, vai levar à feira sistemas informatizados para fazendas de gado leiteiro. A empresa, presente hoje em 50 países do mundo, introduziu os primeiros sistemas de monitoramento de rebanho e fornece ferramentas para maximizar a eficiência das fazendas de leite. O programa desenvolvido pela Afikim coleta informações de cada animal, constrói um banco de dados e gera relatórios em tempo real sobre a saúde do rebanho, a quantidade e a qualidade do leite.

Em Israel, a média de produtividade de leite está ao redor de 12.000 litros por vaca ao ano, a maior do mundo (no Brasil, a media não chega a 1.500 litros). Nessa área também atua a SCR, empresa que fabrica o “heatime”, sistema para detecção de cios que já foi instalado em mais de 8 mil fazendas em várias partes do mundo.

A Ziv-Golan apresenta na Agritech os equipamentos da Juran-ArilSystem e da FreshDefrost que processam as sementes de romã, embalam e congelam o produto. A Juran introduziu o primeiro sistema automatizado para a extração da semente em 2003, que hoje tem capacidade para processar até 56 frutas por minuto, com um rendimento de mais de 300 quilos por hora de sementes de qualidade superior. A tecnologia de congelamento mantém as propriedades naturais da fruta, disponibilizando aos consumidores frutas quase tão frescas como as recém-colhidas, em qualquer época do ano.

A piscicultura israelense, que ficou famosa no mercado internacional com o saint-peter, está apostando também nos peixes ornamentais. A Ginat Fish Company produz cerca de 2 milhões de “guppies” por ano, peixes de aquário que são exportados principalmente para a Europa. Um guppy normalmente é vendido por um euro na Europa.

Mais informações: Missão Econômica de Israel no Brasil, & (11) 3032-3511, ) anaclaudia.barchifelisardo@israeltrade.gov.il  


Coleta água da chuva , o fim da sede

O melhor projeto ambiental do Brasil é uma solução definitiva para a falta de água para beber no sertão. Com a construção de cisternas, o programa pretende, em cinco anos, transformar de uma vez e para sempre a vida no semi-árido.
Edição
177
Junho de 2002

Denis Russo Burgierman, de Afogados da Ingazeira, PE
A idéia é muito simples. O Programa 1 Milhão de Cisternas Rurais (P1MC) pretende, em cinco anos, construir uma cisterna – espécie de poço que coleta água da chuva – para cada casa do semi-árido nordestino. As conseqüências disso? Acabar, de uma vez, com a falta de água para beber no sertão. Reduzir drasticamente a mortalidade infantil. Combater o analfabetismo, aumentar a renda, organizar as comunidades. Enfraquecer o coronelismo, frear o êxodo rural, diminuir a desigualdade entre homens e mulheres, difundir o respeito pela natureza. Em resumo: mudar, de repente e para sempre, uma verdade que parecia tão antiga e imutável quanto o sertão: a de que não há água suficiente no Nordeste.
Há água, sim. Chove todo ano no semi-árido (se não chovesse, não seria “semi”). Mesmo na pior das secas, mesmo nos lugarejos mais esquecidos, a quantidade anual de chuva não fica abaixo de 200 milímetros (a medida se refere à altura da coluna de água que se acumula em um recipiente). É pouco. Mas é suficiente para dar água de qualidade para uma família de cinco pessoas beber por um ano. Basta arrumar um jeito de coletar essa água antes que ela suma no chão. E o jeito mais simples é instalando calhas dos dois lados do telhado para conduzi-la para um reservatório de concreto – a cisterna –, onde ela ficará protegida dos parasitas e da evaporação. A água que se acumula lá dá para uma família beber e cozinhar por um ano. Nos anos de seca, ela deve ser usada só para beber. Simples assim.
Simples, mas revolucionário. A idéia é fazer 1 milhão de cisternas – ou seja, suprir completamente a demanda do sertão. Por enquanto, só 4 000 saíram do papel – o projeto começou no final de 2001. Mas o ritmo das construções deverá aumentar exponencialmente, na medida em que mais cidades e ONGs se envolvem, mais patrocinadores se interessam (por enquanto, só o governo federal põe dinheiro, através da Agência Nacional de Águas) e mais governos assumem a construção de cisternas como política pública.
Sem obras faraônicas, o P1MC está mudando de forma radical a vida de milhões de pessoas, ensinando-lhes uma forma nova de se relacionar com o ambiente. A idéia é que é possível conviver com a seca em vez de combatê-la, desde que se entenda o que é a caatinga e que se tire dela os recursos de que a população necessita. Por causa disso, o programa foi escolhido o melhor projeto desenvolvido por ONG na categoria Água do Prêmio Super Ecologia e, em seguida, eleito para o Grande Prêmio Super pela maioria absoluta da comissão julgadora – quatro dos sete votos. Ou seja, é o melhor entre todos os 438 inscritos – o melhor trabalho ambiental desenvolvido em 2001 no Brasil, vencendo nomes bem mais conhecidos, como o da Associação Mico-Leão-Dourado e o Projeto Saúde e Alegria, também lembrados pela comissão.
A reportagem da Super foi ao sertão pernambucano conhecer o P1MC. Balançamos quatro horas e meia na estrada esburacada que liga Recife a Afogados da Ingazeira, no semi-árido, e depois chacoalhamos outra hora no banco de trás do jipe que nos conduziu, por uma estrada de terra, até a comunidade rural de Tuparetama, um conjunto de 28 casinhas espalhadas pelo Sertão do Pajeú, onde as cisternas estavam sendo construídas. O jipe pertencia à Diaconia – uma das quase 700 ONGs que integram a Articulação no Semi-Árido Brasileiro (ASA), a coalizão de entidades de 11 Estados – nove do Nordeste mais Minas e Espírito Santo – que criou e está gerindo o P1MC.
A primeira coisa que percebemos é que o programa é muito mais do que construir cisternas. “Não somos uma empreiteira”, diz Arnulfo Barbosa, secretário executivo da Diaconia e coordenador do programa. “As cisternas não são apenas uma obra útil – são um instrumento pedagógico para ensinar cidadania”, afirma. Quer dizer, elas não são entregues às famílias como um presente caído dos céus. Quem quiser ganhar uma tem que suar – cavando o buraco de 1,8 metro de profundidade para abrigar a obra, carregando areia e brita. “Queremos o máximo de participação da comunidade, para que as famílias aprendam a valorizar a cisterna”, diz o agrônomo Osvaldo Ribeiro, o técnico da Diaconia que nos acompanhou pelo sertão. “Eles têm que ficar com a sensação de que foi algo que eles mesmos conquistaram.”
É o caso de Nelson Gonçalves Nunes, um agricultor de 51 anos que mora em Tuparetama. Quando chegamos na casa dele, Nelson estava misturando cimento. Lá perto, uma montanha de pedra e terra davam a dimensão da dificuldade que tinha sido cavar o buraco. “Meus filhos me ajudaram.” Nelson não reclamava do esforço. “Quero terminar logo. Se precisar, trabalho até as 10 da noite hoje. Isso aqui é bom demais. Vai mudar a nossa vida”, disse.
Vai mesmo. Uma das mudanças é que ninguém mais terá que sair andando sob o sol do sertão até o açude mais próximo. Açudes são baixadas onde se acumula a água da chuva – se é que dá para chamar de água aquele líquido barrento e quase sempre cheio de vermes que milhões de sertanejos bebem todos os dias. Calcula-se que, em média, uma família gaste uma hora por dia no penoso trajeto entre a casa e o açude – o que dá 30 horas por mês, ou quatro dias de trabalho. Ou seja, um mês e meio de trabalho é perdido todo ano só na tarefa de buscar água. Na casa da família de Nelson, a partir de agora, esse mês e meio a mais vai ser usado para produzir o sustento da família.
E não é só tempo perdido. Buscar água é uma atividade muito desgastante. Para começar, os açudes ficam quase sempre em lugares baixos – se não fosse assim, a água não escorreria para lá. Ou seja, quem busca água desce com a lata vazia e sobe de lata cheia na cabeça. E isso é um trabalho pouco valorizado que quase sempre cabe à mulher da casa. Com as cisternas, muda o status da mulher, aumenta seu tempo livre e sua participação na produção.
E não pára aí. Outra mudança radical que as cisternas operam é política. Tradicionalmente, no semi-árido a posse da água é dos poderosos. Cabe aos políticos mandar caminhões-pipa a cada vez que a sede aperta. Isso não sai de graça, claro. Caminhões-pipa são trocados por votos nas eleições. Comunidades que dão poucos votos a quem chega no poder ficam sem água. Esse controle dos recursos hídricos está na base do famigerado curral eleitoral, a prática política que impera em boa parte do Nordeste. “Não é à toa que muitos políticos estão incomodados com nosso programa”, diz Osvaldo. “Outro dia, um secretário da agricultura telefonou indignado, reclamando que não tinha sido comunicado das construções.” Tem até o caso de um prefeito da Bahia que se notabilizou por comandar uma campanha de destruição das cisternas.
Na casa de Maria do Socorro da Silva, de 50 anos, experimentei a água da cisterna recém-construída. Não tanto por interesse jornalístico, mais para me refrescar naquele calor terrível. Cristalina. Quase nenhum gosto de cloro – o pessoal do programa recomenda que a água tirada da cisterna fique guardada numa moringa de barro, com algumas gotas de água sanitária. Sem dúvida, um gosto melhor que o da água que eu tomo em São Paulo. Nem vamos comparar com a água marrom de açude que é a única alternativa de muita gente depois de passar o dia trabalhando no calor de 40 graus. Perguntei a Maria do Socorro se, antes de ter a cisterna, ela e o marido adoeciam muito por causa da água. Ela disse que não. Insisti: “Não tinha diarréia, essas coisas?” “Ah, diarréia tinha sempre, sim.” Desarranjos intestinais e verminoses eram tão comuns no lugar, que Maria do Socorro nem chegava a considerar esses males como “doença”.
De fato, o pessoal da ASA fez exames de saúde em uma comunidade da Bahia antes da construção das cisternas. Todos os habitantes – redondos 100% – tinham verminose. Depois do programa, os exames foram repetidos. Só 7% estavam doentes. Segundo a Unicef, de cada quatro crianças que morrem no sertão, uma é levada pela diarréia. O programa dará solução ao mais terrível problema de saúde da região. E ainda terá efeitos na educação. Afinal, diarréias são o principal motivo que leva as crianças a perderem aulas.
Outro efeito colateral do P1MC é estruturar as comunidades sertanejas. Um pré-requisito para uma comunidade ser escolhida para ganhar cisternas é mostrar organização suficiente. O lugarejo tem que eleger um líder e participar das reuniões que decidem quais regiões serão agraciadas primeiro. O resultado disso é que, ao final da obra, que dura só duas ou três semanas, o que sobra é um lugar estruturado, pronto para reivindicar outras coisas.
O P1MC também incentiva a organização comunitária com os cursos de dois dias dirigidos a todo mundo que ganha uma cisterna. Os moradores aprendem não só a lidar com a cisterna – mantê-la tampada, tirar as calhas e lavá-las na época da seca, descartar a primeira chuva do ano para deixar limpar o telhado, tratar a água com cloro –, mas têm também noções de ecologia e cidadania. Por exemplo, aprendem como encaminhar suas reivindicações às autoridades, como buscar recursos de ONGs e organismos internacionais para obras sociais. As aulas também discorrem sobre as características ecológicas do semi-árido e sobre as melhores maneiras de conviver com o ambiente.
E tem mais: o P1MC gera renda a milhares de pedreiros no Nordeste. Vários deles estão fazendo o curso oferecido pelas entidades que formam a ASA para aprender a erguer as cisternas. E, para cada obra concluída, eles ganham 100 reais. Pode parecer pouco, mas está muito acima da média do sertão (onde os salários são tão baixos que a maior fonte de renda é a aposentadoria rural). Dá-se preferência a pedreiros da própria comunidade.
As cisternas são feitas com placas pré-moldadas de cimento. Trata-se do modelo mais barato que o programa encontrou – algo como 700 reais, incluídos os 100 do pedreiro. O projeto não surgiu em nenhum gabinete com ar-condicionado – foi desenvolvido por um agricultor, a partir do know-how de quem convive com a seca. Essa, aliás, é uma das vantagens do programa. Não se trata de propor soluções de fora para dentro. As ONGs envolvidas, a maioria com nomes dos quais você provavelmente nunca ouviu falar, como CPT, Cefas e Technes, atuam no sertão há tempos e conhecem os problemas que querem resolver. A ASA nem sequer tem estrutura própria – usa as das ONGs associadas. Dessa forma, não gasta com salários, carros ou aluguel. Não é por outro motivo que 80% do dinheiro investido chega à ponta – ou seja, vira benefício para a população –, porcentagem altíssima para ONGs.
O P1MC dá uma nova dimensão ao conceito de “projeto ambiental” – não se trata apenas de proteger a natureza do homem, mas de ensinar o homem a conviver com a natureza. Por tudo isso – pela quantidade infinita de conseqüências, pela forma inovadora de organização, pela visão abrangente do problema –, o Programa 1 Milhão de Cisternas Rurais é o grande vencedor do ano. Brindemos. Com água.

Os finalistas

Para ganhar o prêmio de melhor ONG na categoria Água, o P1MC teve que derrotar, na final, o Grupo Gota D’Água de Proteção à Natureza, de Mangaratiba, Rio de Janeiro. O Gota D’Água mantém o inovador projeto Desenvolvimento Sustentável – Maricultura, cuja proposta é criar uma fonte de renda para as comunidades caiçaras da região – a criação de mariscos –, de forma harmônica com a natureza. O outro finalista era o projeto de Proteção aos Mananciais Através do Reflorestamento Ciliar, que busca resgatar as nascentes dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, no interior paulista.
http://super.abril.com.br/ideias/coleta-agua-da-chuva-o-fim-da-sede
Resultado de imagem para seca 2016 no nordeste municipios decretam estado de emergencia


Resultado de imagem para seca 2016 no nordeste municipios decretam estado de emergencia

barragem, jucazinho, pernambuco, agua, seca (Foto: Reprodução/ TV Asa Branca)