sexta-feira, 24 de junho de 2016

Fotos da Natureza


Categoria Grande Prêmio, a principal do Big Picture - "Rinoceronte branco", fotografada pela belga Maroesjka Lavigne na Namíbia (Foto: Maroesjka Lavigne)CATEGORIA GRANDE PRÊMIO, A PRINCIPAL DO BIG PICTURE - "RINOCERONTE BRANCO", FOTOGRAFADA PELA BELGA MAROESJKA LAVIGNE NA NAMÍBIA (FOTO: MAROESJKA LAVIGNE)


Categoria Vida Aérea - "Composição de Pelicanos", fotografada pelo italiano Marco Urso, na Grécia (Foto: Marco Urso)
Categoria Vida Aquática - "Espaço Profundo", fotografada pelo espanhol Eduardo Acevedo nas Ilhas Canário (Foto: Eduardo Acevedo )
Melhor ensaio - "O Triângulo de Corais", fotografada pelo malaio Eric Madeja, na fronteira entre Indonésia, Malásia, Filipinas,  Papua Nova Guiné, Timor Leste e Ilhas Salomão (Foto: Eric Madeja)
Melhor ensaio - "O Triângulo de Corais", fotografada pelo malaio Eric Madeja, na fronteira entre Indonésia, Malásia, Filipinas,  Papua Nova Guiné, Timor Leste e Ilhas Salomão (Foto: Eric Madeja)
Melhor ensaio - "O Triângulo de Corais", fotografada pelo malaio Eric Madeja, na fronteira entre Indonésia, Malásia, Filipinas,  Papua Nova Guiné, Timor Leste e Ilhas Salomão (Foto: Eric Madeja)
Categoria Vida Selvagem Terrestre - "Uma Cruzada Corajosa", fotografada pelo queniano Manoj Shah, no Quênia (Foto: Manoj Shah)
Categoria Paisagem, Oceano e Flora - "O Despertar", mostrando fortes descargas atmosféricas sobre o vulcão Calbuco em erupção foi fotografada pelo chileno Francisco Negroni, no Chile (Foto: Francisco Negroni )
Categoria Humano e Animal - "Gato Gigante no meu Quintal!", fotografada pelo indiano Nayan Khanolkar, na Índia (Foto: Nayan Khanolkar)
Categoria Arte Natural - "Visão microscópica de cristais de enxofre", fotografada pelo alemão Peter Juzak, na Alemanha (Foto: Peter Juzak)
*Com supervisão de Nathan Fernandes
http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2016/06/veja-fotos-da-natureza-mais-bonitas-dos-ultimos-tempos.html

Reino Unido sai da União Européia


Sem Reino Unido na UE, Brasil perde 'fiador' de acordo de livre comércio entre bloco e Mercosul

  • Há 4 horas




Plebiscito sobre permanência do Reino Unido na União Europeia acontece nesta quinta-feiraImage copyrightTHINKSTOCK
Image captionPlebiscito sobre permanência do Reino Unido na União Europeia acontece nesta quinta-feira

Em um encontro realizado há alguns meses em Londres, representantes do governo brasileiro foram interpelados por membros da Confederação de Indústrias Agrícolas do Reino Unido, a principal entidade do setor, sobre um tema polêmico que vem dividindo no país.
Eles queriam saber a posição do Brasil sobre o Brexit ─ o plebiscito sobre a permanência do Reino Unido na União Europeia, realizado nesta quinta-feira. A Grã-Bretanha optou, em votação de 52% contra 48%, pela saída do bloco.
"Nossa prioridade é negociar com a União Europeia e não com o Reino Unido individualmente", respondeu, então, um alto funcionário do governo brasileiro presente na reunião.
Por trás da defesa do governo brasileiro pela permanência do país no bloco, estavam não apenas aspectos econômicos, mas também políticos.
Isso porque, segundo apurou a BBC Brasil, o Reino Unido tem sido um dos principais "fiadores" das negociações para o tratado de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia. Encabeçado pelo Brasil, o acordo sofre resistência de países como a França, temerosos de que produtos agrícolas sul-americanos possam enfraquecer a agricultura local.
Por outro lado, apesar de subsidiada, a agricultura não é o forte da economia do Reino Unido (o setor responde por menos de 1% do PIB britânico), mais interessado nas perspectivas de negócio que se abririam com a ampliação do fluxo comercial ─ especialmente para os setores de indústria e de serviços.
"O setor agrícola não é tão forte no Reino Unido como em outros países da Europa. O país sempre teve como princípio defender o livre comércio e está interessado nas oportunidades de investimento que vão surgir", disse à BBC Brasil uma fonte envolvida nas negociações.
O Mercosul negocia há cerca de 16 anos com a União Europeia um acordo para ampliar o intercâmbio comercial entre os dois blocos. O objetivo é que o tratado envolva não só questões de barreiras tarifárias, mas também convergência e padronização de regras que facilitem a integração de cadeias produtivas.
Em maio deste ano, pela primeira vez desde 2004, União Europeia e Mercosul trocaram ofertas tarifárias para negociar um acordo de livre comércio do qual foram excluídos "produtos sensíveis" ─ como carne bovina e etanol ─ para o bloco europeu, em grande parte por pressão da França, maior potência agrícola europeia, e de outros países.
Mesmo assim, entidades agrícolas europeias criticaram o avanço das negociações. Segundo estudos citados por elas, a UE poderia perder até 7 bilhões de euros (R$ 27 bilhões) se firmar o tratado com o Mercosul, "que já é um grande exportador de matérias-primas agrícolas".
A UE e o Mercosul vão "analisar ofertas" e voltarão a se reunir em breve, antes das férias do verão europeu (inverno no Brasil), segundo o Itamaraty.

http://www.bbc.com/portuguese/internacional-36597698

arte - diferença entre Reino Unido / Grã Bretanha / Inglaterra








segunda-feira, 20 de junho de 2016

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Programa MAPA - Como fazer um croqui

Direitos Humanos e Povos Indígenas

Meninas indígenas trocam virgindade por doce no AM

FUNAI tenta manter sobrevivência de índios Kawahiva que vivem isolados n...

Índios Kawahiva sem contato com o homem branco são flagrados na Amazônia...

Índios isolados - 1º contato no Acre

Exclusivo: 2º contato dos índios isolados no Acre

Drauzio Varella entrevista Orlando Villas-Bôas

D-21 - Entrevista com Orlando Villas Bôas (complementar)

terça-feira, 14 de junho de 2016

360p Cowspiracy A Conspiração das Vacas

A Corporação (2003) - Versão completa - The Corporation ( Leg. Pt-Br)

SICKO - SOS Saude - Michael Moore completo legendado

Capitalismo - Uma História de Amor PT-BR Completo

Influências do Tupi-guarani na Língua Portuguesa

Tupi Guarani - O idioma que moldou o Português Brasileiro

TV CUT: Danny Glover diz que redução da maioridade penal é racismo

Chico Buarque - Depoimento Sobre Racismo no Brasil - Saltimbancos

Seu Jorge conta que sua filha foi confundida por lixo em caso de racismo...

Por uma infância sem racismo

Morgan Freeman ensina o que é racismo de verdade em 40 segundos

Documentário Sobre Estética e Cabelos Afros: Espelho, Espelho Meu!

DEIXA SOLTO - Documentário sobre Identidade HD

O “black power” ainda é considerado um penteado radical?


Neste fim de semana, durante o Encrespa Geral do Rio de Janeiro, tive a oportunidade de conhecer a Alê Hammond e, junto com as outras meninas, trocamos algumas ideias sobre cabelo em ambientes profissionais. Pudemos perceber que, infelizmente, o nosso cabelo ainda incomoda, especialmente quando é usado em um “black power”*, ou o que os americanos chamam de “afro”.

Coincidentemente, hoje achei esta reportagem, que fala sobre como o “black power” é um estilo até hoje controverso quando está, principalmente, na cabeça de pessoas que frequentam ambientes corporativos e acadêmicos.

Por muito tempo, o “black power” foi visto como um penteado que representa uma afirmação, sobretudo uma afirmação política, pois esteve ligado a um movimento muito mais amplo de afirmação da própria negritude. Neste momento específico, o destaque aos nossos cabelos crespos/encarapinhados naturais era necessário como uma forma de reforçar a identidade negra.
Hoje, vemos várias blogueiras e vlogueiras ensinando mil e uma formas de estilizar nossos cabelos crespos que vão muito além do “black” e percebemos uma maior receptividade ao cabelo natural em diferentes espaços (escola, trabalho, igreja, família). Apesar disso, o penteado “black power” ainda é algo controverso.

No vídeo da reportagem, Michaela Angela Davis, uma das entrevistadas, comenta que o cabelo afro diz coisas, especialmente porque ele é um cabelo que cresce “para cima e para fora”, e que é curioso que a maneira mais “radical” que uma pessoa de cabelo crespo possa usar seu cabelo seja deixando-o crescer ao natural, da maneira como sai de sua cabeça.

O outro entrevistado, Jody Armour, professor de Direito, conta que ouviu de um aluno que era irônico que ele ministrasse disciplinas no curso de Direito quando ele mesmo, o professor, parecia um criminoso. Ele conta também que colegas de profissão disseram que usar o cabelo “black” daquela forma era impertinente e inadequado. 
Ainda que o movimento de retorno ao natural tenha conquistado lugares importantes para nossos cabelos, há certa resistência na forma como esses cabelos podem ser apresentados. O “black power” pode ser considerado por algumas pessoas demasiado radical ou extremo, ou ainda um “cabelo de militante” ou, pior, cabelo de quem é descuidado e não profissional.

Diante disso, podemos questionar: será que nossos cabelos crespos estão sendo de fato aceitos em sua plenitude, ou ainda precisam ser “domados” e adaptados a normas sociais que guardam o ranço do preconceito?

Você já sofreu preconceito ou discriminação por usar seu cabelo natural em um “black power”?

* * *


*  Vale dizer que Black Power é o nome de um movimento em prol da afirmação da identidade, da cultura e dos interesses dos negros nos anos 60 e 70. Aqui no Brasil, o nome “black power” acabou sendo associado ao penteado característico dos militantes do movimento, que faziam questão de enfatizar os cabelos crespos como símbolo da afirmação de suas características raciais.
http://ameseucrespo.blogspot.com.br/2013/11/o-black-power-ainda-e-considerado-um.html
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“Sinhá” (parceria e dueto com João Bosco) – Adotando tom de afro-samba mais à maneira do parceiro João Bosco que do bossa-novista Baden Powell, Chico termina o disco em seu ápice, na canção mais intensa e confessional, irmã do romance “Leite Derramado”. O narrador é um escravo no tronco, açoitado por ter espichado os olhos para sinhá – o que ele nega (“por que talhar meu corpo?/ eu não olhei sinhá”), mas ao final confirma.

A última estrofe da canção “Sinhá” (e do disco “Chico”) embaralha de vez a ficção e a vida real do artista de olhos claros, herdeiro obediente dos Buarque de Hollanda e da tradição nacional-emepebista, que se tornou sogro de Carlinhos Brown e avô de netos sarará: “E assim vai se encerrar/ o conto de um cantor/ com voz de pelourinho/ e ares de senhor/ cantor atormentado/ herdeiro sarará/ do nome e do renome/ de um feroz senhor de engenho/ e das mandingas de um escravo/ que no engenho enfeitiçou sinhá”.

http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/musica/chico+buarque+engajado+da+lugar+a+persona+literaria+em+novo+disco/n1597086976996.html

Sinhá
Chico Buarque
  
exibições
38.609
Se a dona se banhou
Eu não estava lá
Por Deus Nosso Senhor
Eu não olhei Sinhá
Estava lá na roça
Sou de olhar ninguém
Não tenho mais cobiça
Nem enxergo bem

Para que me pôr no tronco
Para que me aleijar
Eu juro a vosmecê
Que nunca vi Sinhá
Por que me faz tão mal
Com olhos tão azuis
Me benzo com o sinal
Da santa cruz

Eu só cheguei no açude
Atrás da sabiá
Olhava o arvoredo
Eu não olhei Sinhá
Se a dona se despiu
Eu já andava além
Estava na moenda
Estava para Xerém

Por que talhar meu corpo
Eu não olhei Sinhá
Para que que vosmincê
Meus olhos vai furar
Eu choro em iorubá
Mas oro por Jesus
Para que que vassuncê
Me tira a luz

E assim vai se encerrar
O conto de um cantor
Com voz do pelourinho
E ares de senhor
Cantor atormentado
Herdeiro sarará
Do nome e do renome
De um feroz senhor de engenho
E das mandingas de um escravo

Que no engenho enfeitiçou Sinhá

https://www.letras.mus.br/chico-buarque/1932795/

Chico Buarque e João Bosco - Sinhá

segunda-feira, 13 de junho de 2016



Terremotos azuis

Terremotos não têm cores, mas a intenção do título é iluminar os sismos que acontecem no mar brasileiro, que não são raros nem desimportantes. Entre dezenas de abalos pequenos, também aparecem tremores com magnitudes expressivas, mostrando que muitos dos maiores sismos brasileiros aconteceram no mar. Como a base de nossos recursos petrolíferos está no oceano, não se pode desprezar o perigo potencial desses terremotos para as estruturas presentes tanto na costa como na água. Portanto, é essencial continuar estudando e monitorando a área oceânica de nosso país.



O Brasil tem poucos terremotos, porque está quase todo no meio da extensa placa Sul-americana e distante de suas bordas perigosas. Por isso, nossos sismos são denominados intraplaca, categoria na qual podemos incluir os tremores que acontecem na margem continental brasileira e nas regiões marinhas vizinhas, verdadeiras extensões submersas do continente. A única diferença dos demais tremores é que seus epicentros estão na porção oceânica (veja a figura).
Apesar de infrequentes, sismos fortes podem ocorrer nas margens continentais e ter consequências sociais e econômicas desastrosas, como o de Grand Banks (Canadá), de 18 de novembro de 1929, com magnitude 7,2.
O Brasil não está imune a isso. Em 28 de fevereiro de 1955, nossa área oceânica foi palco do segundo maior terremoto registrado por estações sismográficas, especialmente estrangeiras.
Antes de prosseguirmos, vale dizer que o tamanho dos terremotos começou a ser determinado com a escala de magnitude criada por Charles Richter (1900-1985), que a revelou em um artigo de 1935. Posterior mente, relacionou-se magnitude com a energia liberada pelos terremotos.
A escala de magnitude é calculada analisando os registros dos terremotos e tem natureza logarítmica, o que significa que o aumento de uma unidade nela representa um incremento de 10 vezes na amplitude da vibração do chão.
Instrumentos sísmicos são muito sensíveis. Para um tremor de magnitude 7, a amplitude da vibração sísmica é de 1 centímetro, a 50 km do foco do terremoto, ou seja, de onde partem as ondas sísmicas resultantes da ruptura do terreno. Para magnitude 6, a amplitude é 10 vezes menor, ou 1 milímetro.
Entretanto, um sismo de magnitude 7 libera cerca de 30 vezes mais energia do que um de magnitude 6, que é, mais ou menos, equivalente à energia desprendida pela bomba lançada sobre Hiroshima (Japão). O terremoto de maior magnitude (9,5) de que se tem registro ocorreu no oceano, não distante de Valdívia (Chile), em 22 de maio de 1960. A energia que liberou equivale à produzida pela Usina Hidrelétrica de Itaipu durante 25 anos, aproximadamente.
A escala de Richter era limitada e, mesmo com aperfeiçoamentos, não determinava magnitudes de grandes terremotos, como o chileno de 1960. Em 1979, surgiu a escala de Magnitude do Momento Sísmico, que exprime o tamanho e a natureza da falha geológica, ou seja, a causa do terremoto. Grande parte das magnitudes conferidas aos tremores atuais deriva de tal escala, mas o nome ‘escala Richter’, erroneamente, continua sendo aplicado.
Por sua vez, intensidade sísmica é uma medida qualitativa que descreve os efeitos produzidos pelos terremotos nas pessoas, em objetos e nas construções. A escala mais usada é a Mercalli Modificada (MM) – referência ao vulcanólogo italiano Giuseppe Mercalli (1850-1914) –, cujos níveis de I a XII relatam a severidade crescente dos terremotos. O grande propósito dessa escala é estudar tremores históricos, aqueles acontecidos antes da existência de estações sismográficas.
No Brasil, o último sismo marinho importante ocorreu em abril de 2008 e teve epicentro a 250 km ao sul de São Vicente (SP). Apesar de moderado (magnitude 5,2), abalou cidades de cinco estados do Sudeste e do Sul. Na capital paulista, prédios trepidaram; moradores de edifícios altos deixaram seus apartamentos; houve queda de reboco; objetos balançaram e caíram. Em Mogi das Cruzes (SP), rompeu uma tubulação de abastecimento d’água.
Junto à costa do Amapá, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, ocorreram quatro abalos com magnitudes entre 5,2 e 5,5. O maior deles, em 28 de junho de 1939, causou danos materiais e foi sentido fortemente em Laguna e Tubarão (SC), com intensidade VIMM e, em menor grau, em outras localidades do próprio estado, bem como no Paraná e Rio Grande do Sul.

Sismicidade brasileira – incluindo epicentros de tremores na margem continental, onde sobressai o maior número de eventos ao longo das margens frente às regiões Sul/Sudeste –, bem como movimentação das placas tectônicas, com o Brasil ocupando posição distante das bordas sismicamente mais ativas da placa Sul-Americana.
Hoje, a repetição de tremores similares poderia produzir consequências mais sérias, porque, nessas regiões, há muito mais gente e construções.

Tabela mostra a relação dos maiores sismos registrados na
margem continental brasileira.
A sismicidade marinha – toda ela registrada por estações sismográficas – retrata apenas uma fração da história dos terremotos no Brasil, pois a região começou a ser monitorada mais eficientemente apenas a partir da metade da década de 1970. Portanto, antes disso, abalos com magnitude maior ou igual a 5 podem ter ocorrido, mas deles nada se sabe.
Ocasionalmente, a exploração de gás e petróleo pode induzir o aparecimento de pequenos sismos. E não seria surpresa presenciar tal fenômeno com a ampliação de campos petrolíferos na costa brasileira (ver ‘Terremotos induzidos pelo homem’, em CH 81).
O epicentro do abalo de 2008 foi na bacia de Santos, mas seu foco se situou na crosta inferior, bem abaixo das rochas que alojam gás/petróleo. Portanto, ele não foi um sismo induzido.

Os maiores do país

O Brasil tem posição privilegiada na placa Sul-americana, longe de suas bordas sismicamente ativas. Mas, no interior do continente, como nas profundezas abaixo de nosso assoalho oceânico, massas rochosas submetidas a intenso esforço podem se quebrar. Foi o que ocorreu em 28 de fevereiro de 1955, causando o segundo maior terremoto no país.
Surpreendentemente, o maior sismo registrado no Brasil ocorreu dias antes, em 31 de janeiro daquele ano, e atingiu magnitude 6,2. Teve seu epicentro – provavelmente – nas proximidades da serra do Tombador (MT).
O ‘terremoto azul’ de 28 de fevereiro aconteceu a cerca de 100 km ao norte do eixo da cadeia submarina Vitória-Trindade, sucessão de montes vulcânicos que se estende em direção ao continente, por mais de mil quilômetros, entre os paralelos 20º e 21° S.
Essa montanha submarina, com picos de mais de 5 km acima do fundo marinho, só afl ora para formar os rochedos Martin Vaz e a ilha da Trindade, a 1,2 mil km de Vitória. Essa cadeia, formada de material vulcânico atravessado por falhas e intrusões, é uma zona de fraqueza da crosta terrestre. Portanto, elemento geológico propício aos terremotos.
Partindo de uma profundidade menor que 30 km e viajando em altas velocidades, as primeiras ondas sísmicas, cerca de 45 segundos depois, atingiram o litoral do Espírito Santo, a 350 km de distância do epicentro. Cidades, vilas e povoados costeiros logo sentiram os efeitos das vibrações do chão, os quais se espalharam pelo interior e beliscaram pedaços dos estados do Rio de Janeiro e da Bahia. Aproximava-se da meia-noite, muita gente dormia, e a movimentação nas cidades diminuíra depois de uma típica segunda-feira de trabalho.
Vitória, com apenas 65 mil habitantes, sentiu mais fortemente as intensidades sísmicas. “Esta capital e alguns municípios espírito-santenses viveram ontem à noite, minutos de angústia e de pânico. É que um tremor de terra, que durou cerca de 30 segundos, abalou Vitória, jogando nas ruas a população alarmada e surpreendida com o fenômeno” (O Globo,1/3/1955).
Apartamentos foram abandonados às pressas, algumas vidraças partiram, objetos quebraram e paredes racharam. “A não ser o pânico de que foi tomada a população, até agora não se registraram perdas de vida nem desabamentos de monta”. O jornal relatava ter desabado o telhado da Usina Ferro e Aço Vitória, e seu vigia ter ouvido uma explosão surda. Acrescentou que a primeira trepidação durou 30 segundos e, após um intervalo de 10 a 20 segundos, repetiu-se o “segundo fenômeno, com duração maior”.
Na cidade de Cariacica, várias casas foram destelhadas. Os residentes do bairro Vila Rica acordaram com suas camas se deslocando de um extremo ao outro do quarto e, alarmados, fugiram para as ruas. O levantamento de dados sobre a percepção desse tremor aparece detalhado no livro Sismicidade do Brasil.
Moradores de Cachoeiro de Itapemerim, Guarapari, Colatina, Marilândia, Linhares e Nova Venécia acordaram com a casa vibrando e objetos caindo de armários e prateleiras. Em Guarapari, “o estrago chegou a tomar corpo, derrubando uma casa”, escreveu O Arauto, de Cachoeiro do Itapemerim (1/3/1955).
Várias pessoas em Guarapari e Colatina perceberam “dois tremores de terra”, sendo o segundo mais forte e prolongado. Entretanto, os sismogramas não apontam o registro de dois eventos. Possivelmente, eles sentiram uma primeira vibração com a chegada da onda P (primária) e, passados alguns segundos, o chão mexeu com maior intensidade e por mais tempo, com a vinda da onda S (secundária).
Bom Jesus do Itabapoana, no interior fluminense, também vibrou, mas com menor intensidade. Parte da população de Virginópolis (MG) diz que o chão tremeu por 30 segundos. Mas os moradores de Catu (BA) – município bem mais distante do epicentro – “foram tomados de pânico, quando a terra tremeu pouco depois das 22 horas”, noticiou o Diário da Tarde (4/3/1955). O jornal não dá pormenores, mas informou que ocorreram danos materiais.
Quase 100 estações sismográficas internacionais registraram esse tremor de magnitude 6,1. Estudos mostraram que ele nasceu de uma falha inversa, ou seja, de um esforço compressivo que empurrou um bloco quebrado contra o outro. Em Vitória, a aproximadamente 350 km do epicentro, a intensidade chegou a VMM (figura 3).

Áreas inferidas de percepção dos terremotos de 1955 e 1769.
Os círculos vazios são locais onde o tremor de 1955 foi sentido.
Local dos epicentros, segundo instrumento de medida (círculo) e por
inferência (hexágono), para os tremores de 1955 e 1769.
Para o Brasil, tratou-se de um respeitável abalo de terra, mas ele foi generoso por acontecer bem distante de áreas habitadas.

Tremor histórico

O evento de 1 de agosto de 1769 nos leva à então Capitania do Espirito Santo, onde a isolada vila de Vitória se expandia com novas construções e maior poder político. Foi por volta das 20h que o chão estremeceu com forte intensidade, levando pânico aos moradores.
Maria Stella de Novaes, historiadora voltada às causas do Espírito Santo, fala desse terremoto em seu livro Relicário de um povo (1958), dedicado ao Convento da Penha. “No mesmo ano (1769) registrou-se, a 1º de agosto, na Vila de Vitória, impressionante fenômeno sísmico: a terra estremeceu, como se estivesse a revirar-se, para esmagar a população que repousava do labor diurno. Sacudido pelo fragor de uma descarga elétrica, na Penha, o povo de Vila Velha foi preso de incrível pavor, porque, segundo testemunhas, todos que se encontravam no Convento e os habitantes da Vila caíram de bruços no chão. Calcularam que se tivesse desmoronado a montanha magnífica. Repetiam-se trovões, enquanto o solo tremia e aquela eminência de onde, até então, se irradiava um fluido de Paz, agora parecia oscilar, desde a base!”
O Convento da Penha, em Vila Velha, é um conhecido marco religioso. Sua construção maciça de tom esbranquiçado foi erguida no topo de uma elevação, quase duas centenas de metros acima do mar. Fundado há 450 anos, ele já era um edifício de porte quando o terremoto aconteceu.
Embora não se possa comprovar, é possível que tenham ocorrido danos em Vila Velha e Vitória, pois seus moradores, preocupados com a possibilidade de novos tremores, buscaram proteção religiosa com preces e penitências, adquirindo uma imagem de Nossa Senhora Mãe dos Homens, para constituir uma irmandade.
Em 1770, o poeta brasileiro Domingos Caldas Barbosa (1739-1800), que, depois, tornou-se padre e foi viver em Portugal, escreveu o ‘Poema Mariano’, narrativa em verso rimado sobre os principais acontecimentos do Santuário da Penha.
Caldas Barbosa descreve com recursos mitológicos os efeitos do terremoto, indicando-lhe a data e observando que, no momento do tremor, era noite de tempo bom, sem vento e mar calmo. Subitamente, o terreno estremeceu, causando confusão, susto e danos, até em coisas robustas (ver ‘Duas estâncias’).
Duas estâncias

Duas estâncias do ‘poema Mariano’ (1770), sobre a penha do Espirito Santo, de autoria de Caldas Barbosa.

XXXII
Inda em sessenta e nove, o sol girava,
Visitando o leão, que atroz rugia,
Tendo no augusto mês, que começava,
Uma só vez mostrado a luz do dia;
Morfeu os doces laços ajeitava;
O mar, o vento, o céu adormecia,
Quando a terra, com grito assas ingente,
Desperta os animais e acorda a gente.

XXXIV
Principia o tremor, no monte e vale;
Aumenta a confusão da morte o susto;
Pedra e tronco não há, que não se abale,
Tendo o dano maior no mais robusto.
Agora só o assombro é bem que fale,
E se emudeça a voz no espanto justo,
Vendo ficar cessando o infausto indício,
Constante a pedra, imóvel o edifício.
O terremoto, no entanto, pode ter gerado réplicas.
Em outra parte do poema, há citação de que a estátua da Virgem Maria, revestida com delicados e valiosos adornos, nada sofreu. Isso dá a entender que não houve danos acentuados nos prédios do convento, construído acima de rocha sã e compacta, o que atenua a amplitude das ondas sísmicas.
O terremoto, no entanto, pode ter gerado réplicas.“Repetiam-se trovões, enquanto o solo tremia [...]”, escreveu Stella de Novaes – no caso, os “trovões” poderiam ser barulhos provocados por abalos posteriores.
Breve, porém preciosa, foi a informação vinda da Bahia. Em documento que relata a curta passagem no governo baiano de Luís Melo Silva Mascarenhas (1729-1790) – 2º Marquês de Lavradio – é citada a percepção de um tremor na capital (ver ‘Descrição histórica’).
Descrição histórica

“Seguem informações parciais sobre a administração de D. Luiz de Almeida Portugal Soares de Alarcão Eça Mello Silva e Mascarenhas, 4º Conde de Avintes e 2º Marquez de Lavradio, Governador da Bahia, que tomou posse em 19 de Abril de 1768 e deixou o governo a 11 de Outubro do anno seguinte.

“Sua administração nada apresenta de notável e apenas durante ella sentio-se na capital um pequeno tremor de terra, as 9 horas e meia da noite de 1º de Agosto de 1769, terremoto este que nenhum danno produziu”.

Fonte: Memórias históricas e políticas da província da Bahia. Cel. Ignacio Accioli de Cerqueira e Silva; e Correio Mercantil, Salvador, v. 2, 451pp. (1835).
Pela coincidência da data e proximidade de horário, é provável tratar-se do mesmo sismo que sacudiu violentamente as terras capixabas.

Sismos comparados

São parcas as informações disponíveis para o evento de quase 2,5 séculos, e, isoladamente, ele não teria a importância que representa quando associado ao que se sabe sobre o tremor de 1955.
Assim, os novos relatos do abalo histórico mostram duas similaridades com o de 1955: distância de percepção e intensidade sísmica. Como o tremor moderno, o de 1769 também foi percebido na Bahia, e as intensidades sísmicas dos dois eventos são bem parecidas para Vitória e Vila Velha.
O tremor antigo foi sentido em Salvador, e o moderno pouco além, em Catu, a 70 km ao norte. Em 1769, a região ao redor de Salvador era pobremente povoada, e Catu nem existia, pois nasceria quase 20 anos depois. O sismo histórico até poderia ter vibrado terrenos além de Salvador, mas, talvez, por dificuldades na preservação de informações, nada se soube. É razoável supor que os dois abalos, na direção norte, tiveram distâncias de percepção equivalentes, mas não iguais.
Considerou-se como VMM a máxima intensidade sísmica produzida pelos tremores de 1769 e 1955 em Vitória e Vila Velha. Isso significa que o sismo é sentido por todos, dentro e fora de casa, há excitação e pessoas correm para as ruas. Edifícios tremem inteiramente e podem acontecer danos leves em construções fracas

Sismicidade da área das quatro principais bacias petrolíferas do
Brasil (Campos, Santos, Espírito Santo e Pelotas). Os eventos de
1769 (hexágono) e 1955 (círculo) estão destacados na parte
superior do mapa.
Enfim, é possível que ambos os terremotos tenham origens semelhantes, tamanhos parecidos e localizações próximas, ou seja, o evento histórico teria magnitude da ordem de 6 e epicentro nas cercanias da cadeia submarina Vitória-Trindade.
Eventuais erros de avaliação não minimizam a grandeza do tremor de 1769, cuja presença, agora revelada, eleva significativamente o patamar sísmico da margem continental Sudeste, região de enorme importância para o desenvolvimento do país.
Continuar estudando e monitorando a área da plataforma continental é o que deve ser feito, e o eventual surgimento de um terremoto com magnitude até 7 não será uma anomalia sismológica.

José Alberto Vivas Veloso
Instituto de Geociências, Universidade de Brasília

http://www.cienciahoje.org.br/revista/materia/id/1052/n/terremotos_azuis




DIÁRIOS ÍNDIOS DE DARCY RIBEIRO: UM LIVRO PARA SER RELIDO

Postado dia 20 de maio de 2016, em Natureza e Sociedade

      Diário Índios de Darcy Ribeiro (1922-1997) é um dos meus livros preferidos, daqueles que de vez em quanto a gente abre uma página para dá uma olhadinha. O leitor não precisa se assustar com as 600 páginas de extensão, são por certo mais fáceis de serem trilhadas do que os mais de 1.500 quilômetros de caminhada por picadas na mata. Os diários são escritos na forma de uma longa como uma longa carta de amor à primeira mulher de Darcy, Berta Ribeiro. Compreendem o período das duas viagens de Darcy, como etnólogo do serviço de proteção ao índio entre os anos de 1949 e 1951.
LEAD Technologies Inc. V1.01
      Cada viagem tinha seis meses de duração, destinadas a estudar, documentar, filmar e defender os índios Kaapor, com quem se tinha mantido contato seis meses antes. É um obra incomparável que une o melhor do amor, do respeito e da erudição para se mergulhar na vida e na cultura do outro. No Brasil é muito difícil encontrar intelectuais do porte de Darcy, com a coragem de ver de perto e de dentro a vida dos destruídos da pirâmide social.
      Não é porque são eruditos, que leitura seja ruim, longe disso, os Diários são: despretensiosos, coloquiais, fluentes e agradáveis, a impressão que se tem, é que os acontecimentos acabaram de ocorrer. Os textos são o maior estudo antropológico brasileiro, com o dessecamento da vida dos Kaapor, seu complexo sistema de parentesco, os rituais de nominação, a riqueza da memória oral com a vida dos antepassados passando a história de geração em geração.
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      Diários Índios é um livro útil, que deveria ser lido nas escolas brasileiras, para que se entendesse um pouco mais da diversidade do Brasil. Darcy Ribeiro é daqueles personagens idealistas, um pouco quixotesco, mas de inegável envergadura não somente intelectual, mas cidadã na acepção mais profunda daquilo que essa palavra possa significar. Com sua coragem característica, dedicou o último dia e o último fio da vida à luta por fixar à terra dos índios e caboclos, preservando o seu saber sobre a floresta, o câncer o abateu, mas a sua luta é imortal.

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