segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Questionário Amazônias

1-De que forma a geógrafa Bertha Becker regionalizou a Amazônia?
2-Pinte no mapa abaixo o Arco do Desmatamento e escreva um parágrafo sobrResultado de imagem para mapa da amazonia legal para colorir
o tema.

3- Maria Bethânia canta, na canção “Reconvexo”: "Eu sou a chuva que lança a areia do Saara / Sobre os automóveis de Roma". Mais do que uma licença poética, os versos descrevem um fenômeno atmosférico real e foram escritos por seu irmão, o cantor e compositor Caetano Veloso, quando esteve na capital italiana e observou diversos carros cobertos por uma misteriosa poeira. Ele perguntou a um habitante local do que se tratava e descobriu que era areia do deserto do Saara, que também é conhecida como poeira saariana.A areia do Saara também chega até a Amazônia. Descreva esse processo.

Leia com atenção a reportagem abaixo:

Neste momento, rios poderosos levam umidade para vastas regiões da América do Sul. Mas eles não são rios comuns. São "rios voadores".
É assim que são popularmente conhecidos os fluxos aéreos maciços de água sob a forma de vapor que vêm de áreas tropicais do Oceano Atlântico e são alimentados pela umidade que se evapora da Amazônia.

Eles estão a uma altura de até dois quilômetros e podem transportar mais água do que o rio Amazonas.
Esses rios de umidade, que atravessam a atmosfera rapidamente sobre a Amazônia até encontrar com os Andes, causam chuvas a mais de 3 mil km de distância, no sul do Brasil, no Uruguai, no Paraguai e no norte da Argentina e são vitais para a produção agrícola e a vida de milhões de pessoas na América Latina.
Mas como eles nascem e se movem? E quais efeitos podem ter?
Para entender isso, a BBC Mundo falou com José Marengo, meteorologista e coordenador geral de pesquisa e desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), e Antonio Nobre, pesquisador do Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ambos do Brasil.

Alta velocidade

"O oceano Atlântico tropical norte é um oceano quente e sua evaporação é muito intensa", explica Marengo.
"Você pode imaginar que existam ventos mais ou menos fortes, os ventos alísios, que transportam toda essa umidade nos níveis mais baixos da atmosfera", diz.
"Em qualquer rio, há áreas muito tranquilas e outras de alta velocidade, que chamamos de jatos de rio", conta o especialista.
"Quando um rio voador se encontra com os Andes, ele adquire uma maior velocidade em seu núcleo que constitui um low jet level - ou jato de baixo nível - , aquele que transporta uma maior quantidade de umidade mais rápido".
"Então, ele faz uma curva para o sudeste e chega à Bacia do Rio da Prata, causando chuvas no local".

Árvores que transpiram

Outro componente essencial dos rios voadores é a umidade produzida pelas árvores da floresta amazônica.
Em artigos, Nobre relatou a incrível função que estas árvores cumprem. "Medimos a evaporação da floresta em milímetros, como se estivéssemos medindo a espessura de uma folha de água acumulada no chão".
"No caso da Amazônia, o número é de cerca de 4 milímetros por dia. Isso significa que, em um metro quadrado haveria quatro litros de água. Podemos usar esses dados para calcular quanto transpira uma árvore no mesmo período apenas calculando a área ocupada pela sua copa", disse Nobre à BBC Mundo (o serviço em espanhol da BBC).
Uma árvore frondosa, com uma copa de 20 metros de diâmetro, transpira mais de 1.000 litros em um único dia, acrescenta.
"Na Amazônia, temos 5,5 milhões de quilômetros quadrados ocupados por florestas nativas, com aproximadamente 400 bilhões de árvores dos mais variados tamanhos".
"Nós fizemos a conta, que também foi verificada de forma independente, e surgiu o incrível número de 20 bilhões de toneladas (ou 20 bilhões de litros) de água que são produzidos todos os dias pelas árvores da Bacia Amazônica".

O enigma do desmatamento

Mas muitas dessas árvores estão em perigo. Os últimos dados divulgados pelo Inpe indicam que o desmatamento está no seu nível mais alto desde 2008.
E uma das grandes incógnitas é o efeito que isso pode ter sobre os rios voadores. Os dados existentes não permitem que isso seja determinado.
"O que foi identificado é que as chuvas estão mais intensas", disse Marengo à BBC Mundo.
"Imagine um ônibus que vai parando de lugar em lugar. Agora imagine um ônibus expresso que não para do início ao fim. O que estamos vendo é que as chuvas estão cada vez mais concentradas em alguns dias no sul do Brasil, norte da Argentina, Uruguai", explicou o meteorologista.
"Parece que os ventos estão mais fortes, que o jato, os rios estão mais fortes. São as conclusões das projeções dos modelos climáticos para o futuro".
"Isso que nos preocupa. Se houver chuvas mais intensas em áreas vulneráveis ​​como São Paulo ou Rio de Janeiro, a possibilidade no futuro de desastres naturais associados a fortes chuvas, como deslizamentos de terra e inundações em áreas urbanas e rurais, também aumenta", adverte
"No Brasil, esses fenômenos causam grandes perdas de vida".

Chuva em outras frentes

Mas nem toda chuva na região centro-sul da América do Sul ocorre por causa dos rios voadores.
"A chuva do Uruguai, por exemplo, não é exclusivamente da Amazônia. Uma parte vem da Amazônia e outra das frentes frias do sul", disse Marengo.
"Algo que não poderíamos identificar é o quanto de chuvas vem de uma determinada região. Por exemplo, para o sul do Brasil saem da Amazônia e de outras fontes, como as frentes frias ou brisa do oceano. Ou até mesmo por evaporação de regiões agrícolas do Centro-Oeste e Pantanal".
"É uma das maiores questões: poder quantificar a água que sai da Amazônia para a Bacia do Prata, que inclui Uruguai, norte da Argentina e sul do Brasil."
Mas quando a chuva cai em um campo do Uruguai ou Argentina, talvez muitas pessoas não imaginam que parte dessa água começou sua viagem a milhares de quilômetros.
Neste sistema de interconexões tão delicado e profundo, fica claro por que é tão vital para todos proteger a floresta amazônica.
A importância destes fluxos de água se popularizou no Brasil graças ao projeto Rios Voadores, criado pelo aviador e ambientalista Gerard Moss.
Ele se inspirou nas investigações de Marengo e Nobre e voou milhares de quilômetros seguindo as correntes de ar, pegando amostras de vapor de água.
Moss queria que o conhecimento sobre esses fluxos chegasse ao sistema educacional. Seu programa já alcançou cerca de 900 mil crianças no Brasil.
"Fico feliz em ver que, depois de passar pelo programa, uma criança nota pela primeira vez uma grande árvore na frente de sua escola", disse Moss à BBC Mundo.
"Antes, nem crianças nem adultos tinham a noção de que, sem os rios do céu, secam os rios da terra", diz, por sua vez, Antonio Nobre.
"Não se entendia que os rios de vapor são tão vulneráveis ​​às perturbações humanas como outros rios", acrescentou.
"E, principalmente, muitas pessoas não sabiam que as florestas que bombeiam umidade são essenciais para que os rios voadores sigam cruzando a atmosfera".
http://www.bbc.com/portuguese/brasil-41118902

4- Por que o Cerrado é considerado a caixa d água do Brasil?
5- Explique como é formado  o fenômeno  dos Rios Voadores. Cite quais são os principais fatores climáticos que contribuem para a formação dos “Rios Voadores”e explique por que a quantidade de água concentrada nos “Rios Voadores” pode ultrapassar a vazão do Rio Amazonas. Qual a relação entre rios voadores e desmatamento e seca no sudeste.
6-Pinte de azul os rios da região.
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7- Era madrugada quando um homem chegou ao Jardim Botânico de Kew, em Londres, à procura de seu diretor. Ele trazia uma carga roubada: 70 mil sementes de seringueira. Foi graças a essa encomenda surrupiada do Brasil que as colônias inglesas na Ásia tornaram-se as maiores produtoras de látex do mundo no início do século passado, enterrando o milionário ciclo da borracha na Amazônia. O ladrão se chamava Henry Wickham (1846-1926), um aventureiro inglês que morou em Santarém, Pará. Explique o ciclo da borracha no Brasil.( http://istoe.com.br/154500_O+HOMEM+QUE+ROUBOU+A+BORRACHA+DO+BRASIL/)
8-Resultado de imagem para O texto da reportagem faz referência a duas fases distintas da política territorial na Amazônia durante o regime militar.  Dois exemplos dessa política de ocupação, para o período 1964/1973 e para o período 1973/1985, respectivamente, foram as implantações de:

O texto da reportagem faz referência a duas fases distintas da política territorial na Amazônia durante o regime militar. 
Dois exemplos dessa política de ocupação, para o período 1964/1973 e para o período 1973/1985, respectivamente, foram as implantações de:
(A) polos de turismo e lazer – extensas redes ferroviárias inter-regionais
(B) centros comerciais fronteiriços – imensas áreas de monocultura de soja
(C) distritos industriais exportadores – numerosas áreas de produção de borracha
(D) assentamentos de agricultura familiar – grandes projetos de grupos empresariais

9-  (ENEM – 2011) A Floresta Amazônica, com toda a sua imensidão, não vai estar aí para sempre. Foi preciso alcançar toda essa taxa de desmatamento de quase 20 mil quilômetros quadrados ao ano, na última década do século XX, para que uma pequena parcela de brasileiros se desse conta de que o maior patrimônio natural do país está sendo torrado.
AB’SABER, A. Amazônia: do discurso à práxis. São Paulo: EdUSP, 1996.
Um processo econômico que tem contribuído na atualidade para acelerar o problema ambiental descrito é:
a) Expansão do Projeto Grande Carajás, com incentivos à chegada de novas empresas mineradoras.
b) Difusão do cultivo da soja com a implantação de monoculturas mecanizadas.
c) Construção da rodovia Transamazônica, com o objetivo de interligar a região Norte ao restante do país.
d) Criação de áreas extrativistas do látex das seringueiras para os chamados povos da floresta.
e) Ampliação do polo industrial da Zona Franca de Manaus, visando atrair empresas nacionais e estrangeiras.

10-  Quem foi Chico Mendes?
11-  Qual dos seguintes eventos NÃO foi causado pelo problema da concentração de terras no país?
Morte do líder seringueiro Chico Mendes, em 1988.
Massacre de Eldorado dos Carajás, em 1996.
Morte da missionária Dorothy Stang, em 2005.
Destruição de propriedades rurais em Santa Catarina, em 2008.

12- (Ufg 2014) Leia a receita apresentada a seguir. 
TACACÁ 
2 litros de tucupi temperado 
4 dentes de alho 
4 pimentas de cheiro 
4 maços de jambu 
1/2 kg de camarão 
1/2 xícara de goma de mandioca 
Sal a gosto 
Modo de servir: muito quente, em cuias, temperado com pimenta. 
Disponível em: <www.receitastipicas.com/receita/tacaca.html>. Acesso em: 9 set. 2013. 

Comer é um ato social, histórico, geográfico, religioso, econômico e cultural. O preparo dos alimentos, a escolha dos ingredientes e a maneira de servir identificam um grupo social e ajudam a estabelecer uma identidade cultural. Essa receita, “Tacacá”, comida muito apreciada na culinária paraense, demonstra 
a) uma interação cultural, com a incorporação de ingredientes advindos de tradições culinárias distintas. 
b) um modo de preparo espontâneo, associado aos padrões culinários da colônia. 
c) um modelo ritualista de servir, vinculado ao formalismo religioso africano. 
d) um modo de utilizar os ingredientes provenientes do extrativismo, associado ao nomadismo dos quilombos. 
e) uma imposição de identidade cultural, pelo uso de produtos cultivados em áreas sertanejas.

13- A Amazônia é uma das mais antigas periferias do sistema mundial capitalista. Seu povoamento e desenvolvimento se deram de acordo com o paradigma da economia de fronteira, significando, com isso, que o crescimento econômico é visto como linear e infinito, sendo imperativo sustar esse padrão baseado no uso predatório das suas riquezas naturais e do saber de suas populações tradicionais.
(Adaptado de Bertha K. Becker, “Geopolítica da Amazônia”. Estudos Avançados,19, nº 53, 2005, p. 72)
a) O que se pode entender por economia de fronteira?
b) Aponte dois exemplos de populações tradicionais na Amazônia
14- O IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - baseia-se em critérios, como porte e projeção nacional, que determinados centros urbanos possuem para categorizá-los como “metrópoles”. Com base na informação acima, assinale a alternativa que aparecem apenas nomes de metrópoles.
a) Manaus, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Curitiba e Goiânia.
b) Rio Branco, Porto Velho, Campo Grande, Cuiabá e João Pessoa.
c) São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Natal, Campo Grande e Recife.
d) Brasília, Rio de Janeiro, Vitória, Florianópolis, São Paulo e Porto Alegre.
e) Rio de Janeiro, Goiânia, Teresina, São Luiz, São Paulo e Brasília.
15-  (Vunesp-2000) Dentre os grandes projetos que objetivaram a integração da Amazônia, destaca-se o que visava à ocupação efetiva das áreas fronteiriças, ao desenvolvimento de infra-estrutura e valorização econômica e à demarcação de terras indígenas. A descrição diz respeito ao Projeto A) Calha Norte. B) Jari. C) Trombetas. D) Carajás. E) Tucuruí.

16-Escreva um parágrafo relacionando a crise do sistema carcerário , o narcotráfico e a urbanização da Amazônia.
17- Leia os trechos abaixo e escreva um parágrafo sobre o tema:
"Entre a noite de terça-feira 16 e a madrugada desta quarta-feira 17, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou duas Medidas Provisórias – a 756 e a 758 – que ampliam as possibilidades de exploração em áreas importantes da Amazônia, especificamente no estado do Pará. As medidas são duramente criticadas por organizações não governamentais e até pelo Ministério do Meio Ambiente, mas defendidas firmemente por políticos locais e também por deputados"
https://www.cartacapital.com.br/politica/mps-756-e-758-ampliam-exploracao-na-amazonia-entenda

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A redução das Unidades de Conservação não dialoga com a realidade da Amazônia. A Flona do Jamanxim, considerada uma das áreas mais desmatadas do país, perdeu mais de 9 mil hectares só em 2015.  Em tempos de crise climática, as áreas verdes precisam de mais proteção; não de menos.
A aliança do governo com a bancada ruralista busca acelerar medidas que violam direitos, legalizam o crime ambiental e promovem o caos fundiário. Exemplos não faltam. Há duas semanas, o governo cortou 51% do orçamento do Ministério do Meio Ambiente – justamente em um momento de reversão na tendência de queda do desmatamento na Amazônia.
Beneficiar grileiros, vender as terras do país aos estrangeiros, acabar com a reforma agrária, liberar agrotóxicos, flexibilizar o Licenciamento Ambiental e acabar com as Unidades de Conservação não são propostas novas. Estão na lista de maldades dos parlamentares ruralistas há muito tempo. Porém, elas pouco prosperaram, dada sua falta de justificativa e por serem contra os interesses da sociedade. “A diferença é que agora estas propostas encontraram, no núcleo do atual governo, gente disposta a servir a este tipo de propósito”, pontua Márcio Astrini, coordenador de Políticas Públicas do Greenpeace. “E estão usando todos os instrumentos possíveis para votar tais matérias”.
http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Noticias/Pior-que-esta-da-para-ficar/

Amazônias


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Segundo a geógrafa e pesquisadora Bertha Becker, a Amazônia já é uma floresta urbanizada, o que para os especialistas é motivo de polêmica. Floresta urbanizada porque registrou a maior taxa de crescimento urbano do país nas últimas três décadas. E de acordo com o último censo de 2000 do IBGE, quase 70% da população na Região Norte vive em núcleos urbanos com uma das piores distribuições de renda do País. A falta de infra-estrutura e de serviços condena o reconhecimento desses núcleos como pequenas cidades, apontadas ainda como aglomerados inchados meio rurais e meio urbanos. 
Arco do desmatamento
Região onde a fronteira agrícola avança em direção à floresta e também onde encontram-se os maiores índices de desmatamento da Amazônia. São 500 mil km² de terras que vão do leste e sul do Pará em direção oeste, passando por Mato Grosso, Rondônia e Acre.
Podemos identificar pelo menos três amazônias distintas. A primeira é a Região de povoamento consolidado formada por grandes extensões de Cerrado do Mato Grosso, Tocantins e Maranhão e as áreas desmatadas do Sudeste do Pará, que por ter sido a grande expansão da fronteira agropecuária, passou recentemente a ser denominada de Arco do Fogo ou do Desmatamento, ou ainda das terras degradadas. 
Amazônia  Central
A segunda Região é a da Amazônia Central, cortada pelas novas estradas oficialmente previstas nos planos plurianuais do Governo Federal, os PPA e “espontâneas”, estendendo-se do centro do Pará e extremo Norte de Mato-Grosso à estrada Porto Velho-Manaus. Nesta região há grande proporção de áreas florestais, terras indígenas e virgens, extrativismo e produção agrícola familiar, o que a torna extremamente vulnerável à implantação dessas estradas e aos conflitos agrários, necessitando de ações políticas e conservacionistas urgentes geradoras de expansão ordenada. 
Amazônia  Ocidental
A área mais preservada é a terceira, a Amazônia Ocidental, que corresponde basicamente aos Estados do Amazonas, do Acre e parte de Roraima. Reúne vastas extensões de florestas, recursos minerais e expressivas várzeas formadas pelo Rio Solimões e seus afluentes que, permanecendo à margem das grandes rodovias implantadas no passado, ainda são comandados pelo ritmo da natureza. Uma de suas maiores riquezas é a sócio-diversidade. 
A geógrafa das cidades da Amazônia
Bertha Becker lançou conceitos inovadores e construiu uma visão ampla sobre a região Norte
CARLOS FIORAVANTI | ED. 210 | AGOSTO 2013

Em 1985, depois de examinar com atenção a intensa urbanização da Amazônia, que nas últimas décadas do século XX acusou as maiores taxas no Brasil, a geógrafa política Bertha Koiffmann Becker lançou a expressão “floresta urbanizada” para definir a região, valorizada até então apenas pelas matas. Bertha Becker, que morreu em 13 de julho, aos 83 anos, preferia usar a expressão Arco do Povoamento Consolidado em vez da mais comum, Arco do Desmatamento, para designar as áreas de ocupação humana nas bordas da floresta, pela simples razão de que essa área está ocupada por muitas cidades grandes, estradas e vastas plantações de soja, além de pecuária e mineração.
“Eu trabalho na Amazônia há 30 anos, não posso deixar de ir a campo para ver o que se passa”, ela comentou em 2004 em entrevista para Pesquisa FAPESP no seu espaçoso apartamento no 13º andar de um edifício na avenida Atlântica, Rio de Janeiro, enquanto planejava uma viagem para conhecer pessoalmente as transformações causadas pelo início do cultivo de soja em algumas regiões de Mato Grosso, Pará e Amazonas. Ela viajou para a Amazônia pela primeira vez em 1970, quando era professora no Instituto Rio Branco, do Ministério das Relações Exteriores, à frente de um grupo de 60 futuros diplomatas – todos se admiraram ao conhecer as fronteiras do país, onde os moradores escutavam a rádio de Cuba com mais frequência do que a Rádio Nacional. Depois dessa viagem, ela nunca mais parou de visitar – e pensar – a Amazônia, conciliando sua visão de campo com a prática acadêmica.
Pequenos e grandes juntos
Bertha Becker argumentava que era preciso pensar o desenvolvimento da floresta, não apenas sua preservação. “Bertha acreditava na colaboração entre os conhecimentos tradicionais e a ciência, a tecnologia e a inovação avançadas”, comentou Cláudio Egler, professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ao jornal O Globo. Ela dizia que grandes empreendimentos empresariais, a despeito da aversão gerada pelas experiências malsucedidas nos anos 1970, deveriam coexistir com pequenos projetos de produção familiar, porque somente os grandes ou os pequenos, por si sós, não resolveriam os desafios da região.
Filha de imigrantes europeus, Bertha Becker terminou em 1952 o curso de geografia e história na Universidade do Brasil, atual UFRJ, onde ela foi professora durante 40 anos – em paralelo, ela lecionou por 18 anos no Instituto Rio Branco. Suas conferências, os debates com colegas acadêmicos e com homens do governo e os 19 livros que publicou ajudaram a enriquecer a visão sobre a Amazônia, hoje vista como um espaço complexo, resultante da interação de forças políticas e econômicas. Seu trabalho influenciou a elaboração de novas estratégias para a organização do território na Amazônia, expressas no Zoneamento Ecológico-econômico para os estados da Amazônia Legal e o Macrozoneamento da Amazônia Legal, recentemente transformados em política territorial para a região pelo Congresso Nacional.

http://revistapesquisa.fapesp.br/2013/08/13/a-geografa-das-cidades-da-amazonia/


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Nasa descobre como a areia do Saara fertiliza a floresta Amazônica

A areia rica em fósforo viaja quase 5 mil quilômetros do norte da África até a América do Sul

Por Gabriel Garcia
Cientistas da Nasa apresentaram um estudo que detalha como a areia do deserto do Saara, no norte da África, viaja pelo oceano Atlântico até fertilizar a floresta Amazônica.
A areia do deserto contém fósforo, um dos principais ingredientes para o crescimento das plantas. O elemento é raro na Amazônia, mas abundante no Saara.
Isso porque o deserto africano era um lago durante a pré-história, repleto de algas e micro-organismos. Há 7 mil anos, esse lago secou. Ficou sobrando a areia do leito do lago, rica em nutrientes.
Parte dessa areia fica em uma depressão na região do Chade que, devido a sua geografia, é atingida por constantes e gigantescas tempestades de areia. O vento é tão forte que consegue carregar a areia rica em fósforo por quase 5 mil quilômetros, até a América do Sul.
A floresta amazônica precisa do fósforo, já que o elemento é raro por ali. A água da chuva e dos rios carrega o fósforo da matéria orgânica em decomposição no solo amazônico, impedindo que ele se deposite e alimente as plantas locais.
O estudo da Nasa, feito pelo Goddard Space Flight Center, é inédito por medir quanta areia viajam pelo oceano Atlântico.
Segundo os satélites da Nasa, mais de 27 milhões de toneladas de areia viaja do Saara para a Amazônia a cada ano, com cerca de 22 mil toneladas de fósforo.
Os pesquisadores usaram um instrumento óptico chamado Lidar para medir com pulsos de luz a formação química das substâncias na atmosfera da região.

http://exame.abril.com.br/ciencia/nasa-descobre-como-a-areia-do-saara-fertiliza-a-floresta-amazonica/


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A Ocupação e Urbanização da Amazônia
De acordo com a  análise de Bertha Becker acerca das mutações estruturais da Amazônia: Período de Formação Territorial (1616-1930), Período de Planejamento Regional (1930-1985) e A incógnita de Heartland.
Período de Formação Territorial (1616-1930):
  • Apropriação do Território (1616-1777);
  • Delineamento da Amazônia (1850-1899);
  • Definição dos Limites (1899-1930).

1494 – Portugal e Espanha assinam o Tratado de Tordesilhas, conforme esse documento os portugueses ficam com a porção leste do território brasileiro e os espanhóis com a poção oeste, o qual coloca a floresta Amazônica para os espanhóis.

1540 – Os portugueses descobrem a Amazônia, desbravadores lusitanos chegam à região para impedir a invasão de ingleses, franceses e holandeses, que cobiçavam a floresta.
1637 – Portugal encomenda a primeira grande expedição à região, com cerca de 2 mil pessoas. A exploração de frutos como o cacau e a castanha ganham uma forte conotação comercial.

1750 – Os reis de Portugal e Espanha assinam o Tratado de Madri - por meio deste, quem usava e ocupava a terra teria direito a ela. Com isso, os portugueses conseguem direito sobre a Amazônia. Deu-se início ao estabelecimento da fronteira do território brasileiro na região Amazônica.

Fim do século XIX – Inicia-se o ciclo da exploração da borracha brasileira na Amazônia, motivado pela Revolução Industrial, as fábricas inglesas importam a matéria prima em grandes quantidades. Entre 1870 e 1900, aproximadamente 300 mil nordestinos migraram para a região para trabalharem nos seringais. a primeira grande leva de população para cidades amazônicas foi no boom da borracha, nas décadas de 1850 a 1910.  A produção atraiu os chamados “soldados da borracha”, principalmente em períodos de forte seca no Nordeste.
Planejamento Regional (1930-1985):

  • Início do Planejamento (1930-1966);
  • Produção do Espaço Estatal (1966-1985);
·         1940 – O então presidente Getúlio Vargas, inicia uma política para a ocupação do oeste brasileiro, a chamada Marcha para o Oeste.

1960 – Com o intuito de integrar a Amazônia com o resto do País, os militares pregam a unificação do País e a proteção da floresta contra a “internacionalização”. Utilizando um discurso nacionalista, os militares realizam várias obras em infraestrutura para a ocupação da região, a principal é a Transamazônica. É a política "Integrar para não Entregar".
No chamado “Milagre Brasileiro”, o governo militar estimulou a ocupação da Amazônia como política de soberania nacional, oferecendo terras na região para os migrantes: “terras sem homens para homens sem terra”.  Foram feitas grandes obras como a rodovia Transamazônica (BR-230), o projeto de mineração de Carajás, e pessoas do Sul, Sudeste e Nordeste foram atraídas para a região.
·         O propósito dos militares na época era estimular a ocupação, promovendo o desmatamento da floresta para o desenvolvimento econômico.  A maneira como foi realizada a conquista na Amazônia reflete na região até hoje, gerando conflito pela terra e caos fundiário.  “O processo era muito contraditório, e isso hoje se reflete no conflito pela posse da terra, a posse real e a posse de papel, jurídica.  Esses problemas com certeza são resultado do processo de ocupação”, diz Aragón.
·        

1970 – A população da Amazônia Legal atinge a quantia de 7 milhões de habitantes, reflexo das políticas públicas para a ocupação do território, no entanto, os problemas ambientais gerados são desastrosos, a área desmatada da Amazônia chega a 14 milhões de hectares.

1980 – Os problemas ambientais na Amazônia, rotulada como “pulmão do mundo”, geram repercussões internacionais. O assassinato do líder sindical Chico Mendes, em 1988, agrava ainda mais as pressões internacionais em relação às políticas desenvolvidas no Brasil para a preservação da Amazônia.
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A Incógnita do Heartland (1985 aos dias atuais):

  • A fronteira socioambiental (1985-1996);
  • Tendências Atuais (desde 1996)
·         1990 – Se intensifica o desmatamento na região para a produção de soja, estima-se que a extensão territorial desmatada atinja 41 milhões de hectares.

2000 – Conforme dados do Instituto de Geografia e Estatística (IBGE), a população da Amazônia é de 21 milhões de pessoas. A pecuária passa a ser a grande vilã e principal responsável pelo desmatamento. O rebanho bovino é de cerca de 64 milhões de cabeças.

2005 – 2009 - O assassinato da missionária estadunidense Dorothy Stang agrava ainda mais os problemas ambientais na região. A área desmatada chega à incrível marca de 70 milhões de hectares.
·         A população urbana da Amazônia praticamente triplicou entre as décadas de 1980 e 2000. 


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·         SIMON ROMERO-29/12/2014

O Brasil surge como o segundo maior consumidor de cocaína do mundo depois dos Estados Unidos, e a Amazônia está se tornando o grande domínio do tráfico. Os traficantes transportam a droga através das fronteiras porosas com Peru, Colômbia e Bolívia, antes de levar a cocaína de barco até o Atlântico para despachá-la para a Europa. Soma-se a isso o crescimento das cidades da floresta tropical brasileira que sustenta o mercado em expansão de cocaína e substâncias como o oxi — uma mistura barata de pasta de cocaína, gasolina e querosene — alimentando um aumento na violência das drogas, agora que a população da Amazônia brasileira se aproxima dos 25 milhões. Manaus, importante centro logístico da Amazônia e sua maior área metropolitana, com dois milhões de habitantes, sofre com a expansão do comércio de cocaína, suportando guerras territoriais, ataques a policiais e terríveis assassinatos.
A transformação de Manaus de pacata cidade ribeirinha, conhecida por sua arquitetura da Belle Époque tropical, em um centro de comércio de cocaína da Amazônia, reflete mudanças mais amplas na cidade ao longo de décadas. Para alguns moradores, ela está quase irreconhecível se comparada à época da expansão industrial da década de 1970 durante a ditadura militar do Brasil, quando muitos dos edifícios mais antigos da cidade foram demolidos e migrantes vieram para cá em busca de empregos em fábricas.
“Manaus era um lugar paradisíaco na minha juventude, uma cidade onde íamos nadar em riachos e ver a vida selvagem da Amazônia de perto nas árvores das praças”, disse Milton Hatoum, escritor de 62 anos, que cresceu aqui e agora mora em São Paulo.
“Essa Manaus foi sistematicamente destruída, substituída por uma cidade com favelas tão perigosas que tenho medo até de pisar nelas”, ele disse.
Uma característica marcante do comércio de drogas de Manaus e de outras cidades no Amazonas é o grande domínio das gangues. Elas geralmente controlam o tráfico de cocaína de dentro de presídios, replicando uma estrutura sofisticada do crime organizado com raízes em grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro.
Nas ruas, traficantes disputam o controle de bocas de fumo, ou pontos de venda onde o comércio da droga é realizado, às vezes terminando em assassinatos ao estilo de execução. As autoridades também enfrentam assassinatos de acerto de contas entre traficantes de ruas e de usuários de cocaína por dívidas de drogas, com o Estado do Amazonas registrando uma taxa de homicídios de 50,1 por 100 mil habitantes em 2012, um aumento de 157 por cento desde o início do século e quase duas vezes a taxa nacional brasileira.
A fraca segurança contribui com uma sensação distópica em algumas áreas, onde novas e luxuosas torres residenciais e um estádio de futebol futurista da Copa do Mundo ficam ao lado de canais cheirando a esgoto.
Em muitos cantos de Manaus, os usuários podem comprar oxi ou crack por US$2 a pedra e alguns consomem suas compras abertamente, usando cachimbos feitos de latas de alumínio.
“É fácil conseguir drogas em Manaus. Hoje você entrar em um bar, começa a beber e quando menos espera encontra alguém que vende. É assim em todos os bairros”, disse Francisco Edinaldo da Silva Pereira, de 34 anos, motorista de táxi desempregado e ex-viciado em recuperação.
Enquanto a violência da droga atinge Manaus e outras cidades, o Brasil opta por evitar grandes estratégias de intervenção como os Estados Unidos fizeram em países vizinhos. Mesmo assim, a Polícia Federal, agência brasileira que combate o tráfico de drogas, recentemente adicionou pelo menos 19 postos de fronteira para reforçar as operações antidrogas.
Agentes brasileiros apreenderam toneladas de cocaína e prenderam figuras importantes do tráfico, como Jair Ardela Michue, chefão peruano que montou uma operação de tráfico de cocaína que se estendeu até Manaus.
Agentes de segurança aqui insistem que estão tendo progresso. Em uma demonstração de força em uma manhã de novembro, mais de uma dúzia de policiais do Fera, pelotão de operações especiais em Manaus, iniciaram uma varredura do Beco Cruzeiro do Sul, favela onde acredita-se que os traficantes de cocaína operem.
Brandindo fuzis de assalto e escondendo o rosto atrás de máscaras por medo da retaliação de traficantes, os policiais invadiram casebres. Em meio à miséria de uma casa cheirando a fezes, os oficiais interrogaram moradores sobre o paradeiro de um indivíduo suspeito de tráfico. Ele não estava mais lá.
“Isso não é de surpreender, já que os traficantes têm informantes em todos os lugares,” disse um oficial, completando: “Olha só esse lugar. Esse não é nosso território. É deles”.

Com o Brasil emergindo como o segundo maior consumidor de cocaína do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos, ao Estado do Amazonas está ganhando importância como um domínio do tráfico. Os traficantes atravessam a droga pelas fronteiras porosas do Peru, da Colômbia e da Bolívia, antes de transportarem a cocaína em barcos para o Oceano Atlântico para o envio à Europa. Somando-se à mistura, o crescimento desenfreado das cidades nas florestas tropicais brasileiras sustenta um próspero mercado próprio de cocaína e de substâncias como o oxi – uma mistura barata da pasta de cocaína, gasolina e querosene – alimentando uma onda de violência relacionada às drogas conforme a população da Amazônia brasileira se aproxima de 25 milhões. 


Embora distantes cidades fronteiriças brasileiras como Tabatinga absorvam uma parte do derramamento de sangue, Manaus, o mais importante centro logístico do Amazonas e a maior área metropolitana, está sofrendo com a expansão do comércio de cocaína, prolongadas guerras territoriais entre as gangues, assassinatos seletivos de policiais e assassinatos terríveis envolvendo a decapitação e o desmembramento das vítimas. 
— Partes de Manaus agora parecem uma zona de conflito — disse George Gomes, delegado titular de combate ao narcotráfico nessa grande cidade asfixiada pelas drogas, com dois milhões de habitantes.

— Para cada traficante que capturamos, outro toma o seu lugar. Nossos adversários têm mostrado uma capacidade impressionante de evoluir e de prosperar — ele acrescentou.

A transformação de Manaus de uma cidade localizada em um rio sonolento, conhecida pela arquitetura tropical Belle Époque, em um epicentro do tráfico de cocaína da Amazônia reflete alterações mais amplas da cidade ao longo das décadas. Para alguns residentes, ela ficou quase irreconhecível desde a expansão industrial local na década de 70 durante a ditadura militar no Brasil, quando muitos dos edifícios mais antigos da cidade foram demolidos e os imigrantes se concentraram em busca de empregos nas fábricas.

— Manaus era um lugar sossegado na minha infância, uma cidade onde nadávamos em riachos e víamos os animais selvagens da Amazônia de perto nas árvores das praças — disse Milton Hatoum, de 62 anos, escritor que cresceu aqui e retrata a cidade em suas obras de ficção.

Hatoum, que agora mora em São Paulo, disse que ficava chocado toda vez que ele retornava a Manaus. 
— Aquela Manaus foi sistematicamente destruída, substituída por uma cidade com favelas tão mortais que tenho medo até mesmo de por os pés nelas — ele declarou.

Uma característica marcante do comércio de drogas em Manaus e em outras cidades no enorme Estado do Amazonas, que é três vezes o tamanho da Califórnia, envolve o crescente domínio das gangues. Quase sempre elas controlam o tráfico de cocaínas de dentro dos presídios, replicando uma estrutura sofisticada do crime organizado com raízes em cidades maiores como São Paulo e Rio de Janeiro.

Em Manaus, a Família do Norte exerce grande domínio nas favelas da cidade embora os principais líderes da quadrilha estejam atrás das grades. Eles ainda exercem influência através de uma rede vagamente organizada de membros de dentro e de fora das penitenciárias devido à fraca fiscalização das prisões, segundo as autoridades de segurança. Abrindo um novo capítulo sangrento do comércio de cocaína na Amazônia, um grupo ainda maior das prisões do sul do Brasil, o Primeiro Comando da Capital, se alastrou para Manaus.

A facção criminosa comandou uma rebelião de quatro dias em São Paulo em 2006, na qual quase 200 pessoas foram mortas. Agora, a facção está brigando com a Família do Norte em várias partes da cidade. Nas ruas, os traficantes aliados de ambas as facções disputam o controle das bocas de fumo, ou os pontos de vendas onde as drogas são negociadas, às vezes, com assassinatos ao estilo de execução nos quais os membros pulverizam uma área com tiros.

As autoridades também lutam com assassinatos de ajuste de contas entre os traficantes de rua e os usuários com dívidas de drogas, com o Amazonas registrando um índice de homicídio de 50,1 a cada 100.000 habitantes em 2012, uma alta de 157 por cento desde o início do século e quase o dobro do índice nacional. As autoridades afirmam que conseguiram reduzir o índice de homicídio em Manaus em 2013, em grande parte com o aumento das patrulhas policiais nas regiões pobres. Porém, a maioria dos assassinatos na cidade ainda é relacionada às drogas conforme as gangues prisionais exercem a sua influência, segundo Débora Mafra, investigadora da Polícia Civil do Estado do Amazonas.

Manaus é cercada de floresta tropical e só tem cerca de um terço da população da região metropolitana de São Paulo, a maior cidade brasileira. No entanto, a segurança fraca contribui para a sensação distópica em algumas regiões, com novas torres residenciais de luxo e um estádio de futebol futurista da Copa do Mundo situados ao lado de canais fedendo a esgoto e assentamentos precários. Refletindo as más condições de vida ao longo de grandes extensões da cidade, Manaus fica em último lugar entre as 16 maiores cidades brasileiras no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, uma medida abrangente das estatísticas econômicas, da expectativa de vida entre outras coisas.

Em muitas esquinas de Manaus, os usuários conseguem oxi ou crack por até dois dólares a pedra, e alguns consomem as suas compras abertamente em plena luz do dia, fumando as drogas em cachimbos feitos com latas de alumínio. Quer pertençam às gangues do tráfico de entorpecentes ou atuem de forma independente, os traficantes operam o tráfico no que equivale a uma desabalada competição para atender à demanda.

— Obter drogas em Manaus é fácil — disse Francisco Edinaldo da Silva Pereira, de 34 anos, taxista desempregado e ex-viciado.

— Ultimamente, você entra em um bar, começa a beber e, quando menos espera, encontra alguém que vende. É assim em todos os bairros — ele explicou.

Embora a violência relacionada às drogas aflija Manaus e outras cidades, o Brasil optou por evitar grandes estratégias de intervenção como as que os Estados Unidos têm aplicado nos países vizinhos produtores de cocaína. Mesmo assim, a Polícia Federal, a principal agência brasileira de combate ao narcotráfico, recentemente acrescentou pelo menos 19 instalações de fronteira para reforçar suas operações.

Os agentes brasileiros apreenderam toneladas de cocaína e prenderam os principais envolvidos no comércio de entorpecentes da Amazônia como Jair Ardela Michue, um chefe peruano que montou uma operação estendida de tráfico de cocaína para dentro de Manaus. Porém, as instituições continuam sofrendo a tensão do comércio de cocaína, como quando os agentes da Polícia Federal de Manaus prenderam Karl Marx de Araújo Gomes, um chefe da polícia civil de um município do Amazonas, após flagrá-lo com 325 quilos de cocaína em sua caminhonete enquanto ele se declarava inocente.

Ele é um dos vários policiais acusados recentemente de tráfico de entorpecentes. As autoridades de segurança daqui insistem que estão tendo grandes avanços contra os traficantes. Em uma demonstração de força numa manhã de novembro, mais de doze policiais do Fera, pelotão de operações especiais de Manaus, iniciaram uma operação no Beco Cruzeiro do Sul, uma favela onde acredita-se que os traficantes de cocaína atuem. Empunhando rifles de assalto e escondendo o rosto com toca ninja por medo de represália das gangues do tráfico, os agentes invadiram os barracos.

No meio da imundície de uma casa fedendo a fezes, os agentes questionaram os moradores sobre o paradeiro de um homem suspeito de ser traficante. Ele havia fugido, e os agentes silenciosamente deixaram a favela.

— Isso não é surpreendente já que os traficantes têm informantes em todos os lugares, mesmo dentro da própria corporação — declarou um agente, solicitando anonimato porque não tinha autorização para discutir a corrupção policial com um repórter.

Ele ainda estava usando uma toca ninja enquanto observava a favela, formada ao redor de um dos igarapés, ou riachos, que de alguma forma ainda atravessam Manaus.

— Olhe para este lugar. Este território não é nosso, é deles — disse o agente do Fera.




http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/01/1849097-neo-rota-da-cocaina-peruana-atrai-faccoes-criminosas-a-amazonia.shtml
Três dias na nova 'fronteira da coca': como drogas e armas entram livremente pela Amazônia

Uma linha tortuosa de 1.632 km desenhada por rios em uma área praticamente inabitada na floresta amazônica. Esse é o cenário da tríplice fronteira brasileira com os maiores produtores de cocaína do mundo: Peru e Colômbia.
Com armamento pesado e lanchas potentes, narcotraficantes dos dois países enfrentam poucos obstáculos no transporte de armas e drogas para Tabatinga (AM), no lado brasileiro. A cidade, onde a pobreza e a falta de infraestrutura são flagrantes, é descrita por moradores da região como "quintal da FDN".
A sigla se refere à facção criminosa Família do Norte, que ficou conhecida mundialmente nos primeiros dias de 2017, quando dezenas de homens foram decapitados e esquartejados em presídios de Manaus.
A origem dos massacres nas prisões, segundo autoridades, é justamente a disputa pelo controle dessa rota amazônica da coca. Argumentando falta de verbas e incentivo do governo, as forças de segurança da região dizem não conseguir controlar o vaivém do mercado ilegal na fronteira.
"Com os recursos que temos hoje em Tabatinga, é impossível controlar a fronteira", disse um agente da Polícia Federal, mirando a imensidão do rio Solimões do único posto fluvial das forças de segurança na região
"Hoje a gente tem uma lancha aqui motor 200. A FDN está investindo aí em motor 350. Fica complicado, né?", diz. "Tinha que ter um helicóptero para policiar. O que temos aqui são 18 policiais. Às vezes pega (os criminosos), às vezes, não."
A sensação entre os homens do Exército, responsáveis pelo controle da fronteira, não é diferente. "Nós não temos condição hoje, com os efetivos que trabalham nesta região e em toda a Amazônia, de cobrir todos estes espaços", diz o coronel Júlio César Belaguarda Nagy de Oliveira, comandante do 8º Batalhão de Infantaria de Selva, responsável por vigiar a tripla divisa.
Também sem helicópteros, com apenas 36 barcos à disposição - a maioria deles com potência semelhante aos dos pescadores e ribeirinhos da região -, ele é responsável pelo controle da fronteira com os dois países, onde centenas de novos caminhos abertos por igarapés e pequenos rios surgem com as chuvas na época das cheias.
"É claro que alguma coisa passa. Muitos desses marginais desviam e conseguem evitar a passagem pelos nossos pelotões", diz Nagy.
Desprotegida, a rota cresce a cada ano. Só em Manaus, principal destino dos entorpecentes que entram pela fronteira, o volume de drogas apreendidas cresceu nada menos que 1.324% entre 2011 e 2015, segundo a Secretaria de Segurança do Estado.

'Falta material humano'

Procurado, o Ministério da Justiça não respondeu por que não há helicópteros na região, nem comentou a falta de policiamento registrada pela reportagem.
"Gestões são feitas diuturnamente para inibir e reprimir o crime e também subsidiar políticas para fortalecer o enfrentamento ao crime, especialmente na fronteira", disse a pasta, por meio de nota. "A PF realiza em média cerca de 40 operações especiais por ano, que são especialmente para atingir organizações criminosas. Cerca de 300 pessoas são detidas por ano."
O ministério disse ainda que "tem priorizado a lotação dos novos policiais nas regiões de fronteira", sem informar, entretanto, quantos homens serão deslocados para a área, nem quando.
Procurado diversas vezes por telefone e e-mail, o Exército não respondeu a nenhuma das perguntas enviadas pela reportagem. No fim de janeiro, o ministro da Defesa, Raul Jungmann, anunciou a realização de uma série de encontros e reuniões com ministros de Defesa de países vizinhos, com a principal intenção de tratar da segurança nas fronteiras. Mas, desde então, nenhuma iniciativa concreta foi anunciada.
Em entrevista em seu gabinete em Manaus, o procurador-geral de Justiça do Estado, Pedro Bezerra, reconheceu os problemas.
"Falta muito material humano e condições para esses soldados que dedicam sua vida para evitar esse tráfico. Condições para que possam atuar de forma eficiente, como materiais, lanchas, armamento, treinamento", disse.
O procurador concorda com o agente da Polícia Federal e diz que o tráfico de drogas tem mais dinheiro e equipamentos. "Como eles (os traficantes) têm poder em termos de dinheiro, eles compram lanchas, hidroaviões. Nós temos limitações financeiras a nível de Estado e dependemos de uma certa burocracia."
Ele prossegue, sem otimismo. "Então, infelizmente as coisas se resolvem pela vontade do material humano de que nós dispomos. Estes agentes que fazem esse tipo de operação arriscando as próprias vidas".

Água, terra e ar

A fragilidade da vigilância na fronteira brasileira na Amazônia não ocorre apenas nos rios. Nos três dias de fevereiro em que esteve em Tabatinga, a BBC Brasil testemunhou centenas de pessoas entrando e saindo do país com malas e sacolas sem qualquer revista.
Logo na primeira noite, um homem foi assassinado bem próximo de onde estava a reportagem da BBC Brasil, a poucos passos do marco da fronteira entre Tabatinga e Letícia, na Colômbia.
"Acontece por volta de uma vez por semana. São acertos de contas", explicou um agente do Exército, apontando para o homem caído sobre uma mesa de bar, baleado há menos de cinco minutos por um homem em uma motocicleta.
As motos são o principal meio de circulação no local, que não tem transporte público. Sobre elas, grupos de até quatro pessoas circulam livremente, sem capacete, carregando mochilas e malas.
A área de fronteira com a Colômbia é delimitada apenas por uma placa. Não existe ali nenhum posto de revista ou fiscalização. Durante a visita, o único patrulhamento registrado ocorreu durante uma atividade de demonstração do Exército para a reportagem.
A fronteira com o Peru, delimitada pelo rio Solimões, também não tem fiscalização.
Pessoas vindo da ilha peruana Santa Rosa entram e saem no Brasil por meio de pequenos barcos que atracam em um porto na base policial. As autoridades locais dizem que seria "impossível" fiscalizar todo mundo.
"Muita gente trabalha de um lado e vive do outro ou faz compras do mês em um dos dois países vizinhos. A circulação de pessoas é gigantesca, seria impraticável", alega o coronel Nagy, do Exército.
No único aeroporto de Tabatinga, que tem um voo diário para Manaus, a grande maioria das bagagens embarcadas não passa por raio-X. Esta brecha de segurança se repete, além da fronteira, na maior parte das cidades do Brasil.
Segundo a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), a fiscalização das malas é obrigatória apenas em voos internacionais. No caso de voos domésticos, ela seria feita em alguns aeroportos do país.

Dinheiro e pessoas

No batalhão do Exército em Tabatinga, o coronel Nagy atribui as falhas na vigilância da fronteira à ausência do governo na região.
"Faltam vagas de trabalho nos municípios, estrutura de saneamento básico, ruas pavimentadas, enfim, condições para que essa população tenha uma vida normal", disse.
Ele conta que, pela falta de oportunidades de estudo, muitos jovens não tem alternativa de renda a não ser o tráfico. "(Eles) participam desse tráfico ilegal de drogas e armas para ter uma condição de subsistência de vida", diz.
"Jovens com pouca condição de estudo enxergam nesse transporte a chance de ganhar 1, 2, 4, 5 mil reais, Este transporte é uma oportunidade fácil e rápida de ganho financeiro."
O comandante do Exército colombiano em Letícia, coronel Nelson Roberto Carvajal Reyes, confirma as dificuldades e diz que, atualmente, membros da Família do Norte cruzam a fronteira para negociar exclusividade nos negócios.
Em sua área de atuação opera uma das frentes das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) que não aceitaram o acordo de paz em andamento com o governo do país.
"Há um fenômeno perverso aqui porque esta é uma tripla fronteira. Colômbia, Brasil e Peru. Os mesmos tipos de agentes criminosos são vistos nestes três países e isso faz o trabalho deles mais fácil", diz o coronel Nelson Roberto Carvajal Reyes, em sua sala de trabalho no batalhão.
"A demanda por cocaína e maconha no Brasil cresceu. Então, cartéis como a Família do Norte estão tentando se aproximar de cartéis colombianos para ganhar hegemonia nesta rota."
Ele explica que a rota passa também por Suriname e Guiana, de onde vai para a Europa e os Estados Unidos.
Nas águas que banham a tríplice fronteira, autoridades já encontraram drogas escondidas na barriga de peixes, como o tambaqui, ou presas em fundos de barcos. Muitas vezes, as mercadorias passam boiando pelo rio para serem buscadas do outro lado, sem chamar atenção do Exército.
"Os traficantes são muito criativos e se reinventam sempre", diz o comandante colombiano. Para 80 kg de cocaína, as mulas, como são chamados os homens que fazem a travessia, ganham em torno de 2 milhões de pesos colombianos (ou R$ 2 mil).
Na outra ponta, a mercadoria chega a ser vendida por preços 20 vezes maiores.
Pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência da Universidade do Ceará e especialista em segurança na fronteira, o professor Luiz Fabio Silva Paiva diz que há registros de tráfico de cocaína na região desde os anos 1970.
"O Cartel de Letícia teve conexões com o Cartel de Medellín, atraindo pessoas para a região atrás dos resultados econômicos produzidos pela cocaína."
Paiva afirma que a política de "guerra às drogas" na região é falha e não consegue diminuir o consumo destas substâncias.
"O mundo do crime se alimenta das contradições de uma política de controle que não controla, que não consegue compreender que as drogas são um problema de saúde pública e não uma questão policial", diz.
http://www.bbc.com/portuguese/brasil-39036636

Fontes:

http://amazonia.org.br/2017/01/rota-da-cocaina-peruana-atrai-faccoes-a-amazonia-e-gera-um-lucro-bilionario/





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